Fiscais do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) interditaram, na segunda-feira (9), oito bombas de dois postos de combustíveis, localizados em Curitiba, atendidos pela Power Bombas, empresa suspeita de fraudar equipamentos de abastecimento de combustíveis.
Além da fiscalização nos postos, o Ipem também suspendeu por 60 dias o credenciamento da Power para as atividades realizadas nos postos. "Cerca de 40 postos atendidos por esta empresa só poderão fazer manutenção em suas bombas com autorização prévia do Ipem", afirmou Rubico Camargo.
Das oito bombas fiscalizadas, seis apresentaram alterações na vazão do combustível, uma apresentou rompimento no lacre e a outra vazamento de etanol. Os dois postos tiveram as bombas interditadas, foram notificados e devem pagar multas.
Em uma das seis bombas interditadas, dos 20 litros colocados em recipientes faltaram 1200 mililitros. Em outra faltaram 1400 mililitros de gasolina. "A cada 20 litros de combustível abastecido, o consumidor deixava de levar um bom volume", disse o diretor presidente do Ipem, Rubico Camargo. A tolerância prevista na lei é de 100 mililitros abaixo ou acima dos 20 litros.
Segundo Camargo, em outra inspeção, realizada no final de dezembro, o Ipem constatou que há facilidade de manipulação do sistema que controla o volume de combustível comercializado, o que poderia facilitar a fraude. Camargo disse que a situação será discutida com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), responsável pela aferição da regularidade das bombas de combustíveis.
Ele adiantou que o Ipem pretende testar um novo dispositivo de memória eletrônica (Eprom) destes equipamentos. "É intenção dos órgãos fiscais e de defesa do consumidor tornar obrigatória a utilização desses dispositivos para garantir um controle mais efetivo do volume comercializado", disse.
Em um dos postos fiscalizados, localizado na região do bairro Bacacheri, uma das bombas teve de ser interditada por apresentar vazamento de combustível. "Ela não pode funcionar por conta do risco de explosão", disse o diretor técnico do Ipem, Shiniti Honda.
Os fiscais também recolheram uma placa eletrônica com suspeitas de alterações. O equipamento foi encaminhado ao Inmetro no Rio de Janeiro, para perícia. "Será feita uma perícia para apurar se foi deixado rastro de software, no componente eletrônico da bomba de combustível", explicou Honda.
SEGURANÇA PÚBLICA – A Delegacia de Crimes Contra o Consumidor (Delcon) será responsável pelo inquérito contra a empresa Power Bombas, denunciada no programa Fantástico como operadora de um esquema de fraudes em postos de combustível.
Um dos sócios da empresa, Cléber Salazar, teve a prisão temporária de cinco dias solicitada pela Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público e decretada pela Justiça. Na segunda à noite ele se apresentou ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público e foi encaminhado para o Centro de Triagem II, em Piraquara. na Região Metyropolitana de Curitiba.
Segundo o delegado Jairo Estorílio, titular da Delegacia do Consumidor, a polícia cumpriu uma mandado de busca e apreensão no escritório da Power Bombas, onde foram apreendidos documentos, computadores, lacres e CDs. De acordo com Estorílio, todas as pessoas envolvidas com a empresa serão chamadas para depor no inquérito. "Todos os responsáveis pelos postos atendidos pela Power deverão ser ouvidos", declarou o delegado.