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O Ministério Público do Trabalho informa que são 34 mil famílias plantando fumo no PR e cada uma tem pelo menos duas crianças trabalhando - Reprodução
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Absurdo

Lavouras de fumo empregam 68 mil crianças no Paraná

Andréa Bertoldi/Equipe Folha
31 dez 1969 às 21:33
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O Paraná tem 34 mil famílias trabalhando com a produção de fumo. Em cada uma destas propriedades existem ao menos duas crianças. Isso significa que cerca de 68 mil crianças trabalham em lavouras de fumo e sem rebecer nada por isso. A informação é da procuradora do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, Margaret Matos de Carvalho. Segundo ela, o período de férias é o que mais as crianças trabalham. Ela participou esta semana do Seminário Diversificação na Agricultura Familiar, que terminou ontem, e debateu as consequências do cultivo do fumo para a saúde dos agricultores.

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"Questionamos o aproveitamento escolar destas crianças porque elas vão para a escola e não aprendem", diz. Além disso, há muita evasão escolar por parte desses alunos. Segundo ela, o fumo prejudica o sistema nervoso central e compromete o desenvolvimento cognitivo das crianças que têm estatura menor do que o normal, são desnutridas e muitas delas adquirem LER (Lesão por Esforço Repetitivo) com a atividade de amarrar as folhas. "Continuamos articulando a sociedade e os municípios para garantir os direitos das crianças a creche e escola", afirma.

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As famílias não conseguem em algumas situações, de acordo com a promotora, atingir a produtividade exigida pelos fabricantes de fumo e quando isso acontece estão sujeitas a multas bem onerosas que podem chegar a até metade do valor da produção anual.


Ela conta que já foram ajuizadas algumas ações cíveis públicas para indenizar os produtores e por melhores condições de trabalho. Margaret lembra que uma empresa chegou a reconhecer o vínculo empregatício de um produtor por decisão liminar no ano passado. A maior parte das ações foi iniciada em dezembro de 2007.


A produtora de fumo e presidente da Associação de Produtores Serra da Esperança do município de Rio Azul, Ezilda Dezanoski, 53 anos, afirma que o trabalho com fumo provoca vários problemas de saúde para os agricultores como câncer de pulmão, problemas de coluna e intoxicação pelo uso excessivo de agrotóxicos.

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Ela começou a trabalhar com fumo aos 22 anos e permanece na atividade até hoje. Agora, iniciou neste ano o plantio de fumo orgânico com 25 mil pés. Além disso, tenta diversificar a atividade com a plantação de milho, mandioca, batata doce, feijão, batata, cebola e pecuária de leite. Ezilda conta que grande parte dos produtores não abandona a plantação do fumo porque com pouco espaço - cerca 1 alqueire - é possível plantar 40 mil pés. Segundo ela, os produtores recebem em média R$ 4,50 pelo quilo do fumo.


A atividade é muito insalubre. Segundo o presidente da Associação Médica do Paraná, José Fernando Macedo, exalar e aspirar o fumo pode provocar todas as doenças do tabaco como câncer de pulmão, de laringe além de doenças circulatórias como o infarto.


Alternativas


Terminou ontem um encontro em Curitiba que discutiu alternativas para a produção e geração de renda diversificada nas propriedades fumicultoras. O Seminário Diversificação na Agricultura Familiar debateu as consequências do cultivo do fumo para a saúde dos agricultores.


A maior parte dos produtores de fumo do Paraná se concentra nas regiões de Irati (com 25% do total da área produzida), Ponta Grossa (18%) e Curitiba, com 15% do total de 75 mil hectares no Estado.


O secretário estadual de Agricultura, Valter Bianchini, disse que há alternativas para a diversificação da produção como a fruticultura, a viticultura e até a pecuária de leite que trariam mais qualidade e menos insalubridade para os produtores.


No entanto, ele destacou que o fumo ainda é importante para a renda dos agricultores que, geralmente, trabalham em propriedades de 15 hectares. Dessa área, apenas três a quatro hectares são utilizados para outras culturas. Ele defendeu que, para diversificar, o produtor precisa de alternativas de crédito e de comercialização. Por isso, a mudança na produção não é possível de uma hora para outra.

O grande problema é que o fumo exige a utilização de muitos agrotóxicos, o que leva a casos de contaminação. Além disso, outro ponto negativo é que a renda do produtor depende de um número pequeno de empresas.


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