Os números expressivos apresentados pelas construtoras e incorporadoras no Brasil no primeiro trimestre, impulsionados por recordes de venda para o período, atestaram a recuperação do setor imobiliário doméstico, que há cerca de um ano sofria os efeitos da crise mundial.
Embora os três primeiros meses do ano sejam tradicionalmente fracos para a venda de imóveis, a retomada da confiança do consumidor e o nível de emprego em patamares elevados mantiveram a demanda aquecida, garantindo às principais representantes do segmento resultados históricos para o período.
Consideradas as companhias integrantes do Ibovespa, o crescimento dos ganhos foi de, no mínimo, 73,4%, caso da Cyrela Brazil Realty, que teve lucro líquido de R$ 174,2 milhões no trimestre encerrado em março, apoiado no recorde de mais de R$ 1 bilhão em vendas contratadas.
Leia mais:
Um terço das famílias brasileiras sobreviveu com renda de até R$ 500 por mês em 2021, mostra FGV
Taxa de desemprego no Brasil cai para 9,8%, segundo IBGE
Termina nesta terça o prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda
Número de inadimplentes de Londrina cai 14% em abril, segundo dados do SPC
O maior salto porcentual em lucro líquido foi apresentado pela PDG Realty, que teve ganho de R$ 136,14 milhões no primeiro trimestre do ano, alta de 153% sobre o mesmo período de 2009.
Outra a registrar recorde de vendas foi a MRV Engenharia, que viu seu lucro acelerar 136,4% entre janeiro e março, para R$ 115,8 milhões, melhor resultado para o período.
No primeiro trimestre, a MRV contabilizou vendas contratadas de R$ 732,7 milhões, avanço de 70,4% maior em relação ao vendido no mesmo intervalo do ano passado. "O mercado está forte", disse o vice-presidente financeiro da MRV, Leonardo Corrêa. "Vimos recuperação total da demanda neste trimestre."
Recuperação. Também impulsionada por vendas quase três vezes maiores, a Rossi Residencial teve lucro líquido de R$ 64,5 milhões no trimestre passado, alta de 126% sobre os R$ 28,6 milhões um ano antes. "Embora seja um período sazonalmente mais fraco para o setor, vendemos mais do que no quarto trimestre. A demanda tem se recuperado e, em contrapartida, temos oferecido mais produtos", disse o vice-presidente financeiro da Rossi, Cássio Audi.
As vendas contratadas da Rossi somaram R$ 842 milhões no trimestre encerrado em março, um aumento de 146% sobre igual período de 2009.
Uma das primeiras a reportar os números para os primeiros meses do ano, a Gafisa teve lucro líquido 76,5% maior, de R$ 64,8 milhões. As vendas contratadas da construtora avançaram 53,3% na comparação anual, somando R$ 1,025 bilhão.
Consideradas as projeções de vendas e lançamento, a aposta é em um cenário de contínuo aquecimento da demanda. Ao mesmo tempo, as estimativas podem colocar a capacidade de execução das empresas em teste.
Na quinta-feira, Luís Largman, vice-presidente da Cyrela, disse que a incorporadora está preparada para cumprir as metas de vender até R$ 6,9 bilhões e lançar até R$ 7,7 bilhões em 2010. ''Estamos muito confortáveis com nosso "guidance".