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Em viagem à UE

Macri pede pressa em acordo entre UE e Mercosul

Agência Estado
05 jul 2016 às 08:43

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O presidente da Argentina, Maurício Macri, fez a sua primeira viagem oficial às instituições da União Europeia (UE) em 20 anos e cobrou os europeus para que avancem "com pressa" na formulação de um acordo comercial com o Mercosul. Mas se deparou com autoridades europeias pressionadas a suspender o processo negociador e a falta de interesse por parte dos países do bloco.

Nesta segunda-feira, 4, o presidente argentino desembarcou em Bruxelas para uma série de encontros com as autoridades do bloco europeu, colocando oficialmente fim a um congelamento nas relações estabelecidos por Cristina Kirchner. O argentino fez questão de apontar que seu governo, ao contrário do anterior, quer um acordo de livre-comércio.

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A UE ainda tenta absorver o impacto do voto pela saída do Reino Unido e que é alvo de pressões para suspender as negociações com o Mercosul. "A velocidade da integração entre o Mercosul e a UE depende da decisão dos países europeus", disse.


Num gesto para marcar a reaproximação, Buenos Aires assinou três acordos com a UE, envolvendo intercâmbio de diplomatas, energia e macroeconomia. Além disso, debateram propostas para que os argentinos recebam parte de refugiados sírios hoje na UE e mesmo em operações de paz. Outro ponto do debate foi a participação do Banco de Investimentos Europeu em obras na Argentina, algo que não ocorria há mais de dez anos.


"Estamos tomando passos concretos para estabelecer a cooperação", disse a chefe da diplomacia europeia, Federica Morgherini. "Essa é a primeira visita em 20 anos e estamos buscando formas de encontrar um caminho adiante", disse.


Ela destacou o relançamento em maio das negociações com o Mercosul, paralisadas por dez anos e indicou que, em outubro, os diplomatas e técnicos vão se reunir para debater as propostas. Mas ela admite que a troca de ofertas de liberalização que ocorreu em maio é apenas "um passo inicial", num alerta camuflado de que o Mercosul terá de oferecer maior abertura no setor industrial.


A chanceler argentina, Susana Malcorra, também destacou que ambos os lados terão de "pressionar por um acordo final". "Sabemos que essa é apenas uma proposta inicial", disse, também sugerindo que o Mercosul não ficará satisfeito com o que há sobre a mesa em relação à abertura agrícola. "Isso vai nos exigir mais trabalho e investimento", disse.


Prioridades


Apesar dos discursos positivos, o Mercosul não faz parte das prioridades da UE até o fim do ano, numa agenda que neste ano é estabelecida pelo governo da Eslováquia. O país do Leste Europeu assumiu neste mês a presidência do bloco europeu até 1 de janeiro de 2017. Apesar de a negociação com o Mercosul ter sido relançada no final de maio, o bloco sul-americano não é citado no documento de trabalho dos eslovacos.

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As negociações entre os dois blocos foram lançadas em 1999 e, em 2004, foram suspensas por falta de um acordo. Mais de dez anos depois, um entendimento relançou o processo em maio e, hoje, quem se responsabiliza pelo assunto é o departamento de comércio da Comissão Europeia. Ainda assim, a presidência rotativa do bloco tem como função estabelecer as prioridades. Segundo o programa obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, porém, os principais objetivos comerciais não citam o Mercosul.


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