O Magazine Luiza captou até R$ 925,785 milhões em sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). O preço por ação foi definido em R$ 16,00, no piso da faixa indicativa - que variava entre R$ 16 e R$ 21. Ao contrário da maior parte das aberturas de capital realizadas neste ano, a empresa não teve dificuldades para viabilizar a oferta, que contou com uma demanda pelo menos 50% maior que a oferta, conforme apurou a Agência Estado.
A participação dos estrangeiros no IPO, no entanto, acabou frustrando as expectativas. Ao contrário do que ocorre na maioria das ofertas, até ontem os estrangeiros respondiam por apenas 30% das reservas, segundo uma fonte. Normalmente, a proporção entre locais e estrangeiros é a inversa.
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Como as últimas apresentações da companhia foram feitas nos Estados Unidos, esperava-se uma grande entrada de pedidos nos últimos dias, o que acabou não acontecendo. Com isso, a projeção de que o preço por ação sairia pelo menos no centro da faixa indicativa não se concretizou.
O Magazine Luiza pretende usar os recursos captados no IPO para investir em abertura e reforma de lojas e aquisições de empresas do setor de varejo e de comércio eletrônico, além de reforçar o capital de giro. A operação inclui ainda a venda de parte das ações que pertencem aos atuais sócios, entre eles o fundo Capital International e a atual presidente da companhia, Luiza Helena Trajano.
A empresa promoveu um grande esforço para atrair o pequeno investidor para o IPO, com direito a campanhas publicitárias estreladas por Luiza Helena e um pedido na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para reduzir o valor mínimo de investimento, de R$ 3 mil para R$ 1 mil. A companhia também ofereceu um incentivo para que os funcionários participassem da oferta, concedendo um desconto de 15% sobre o preço da ação.
Na avaliação de uma analista, as ações do Magazine Luiza chegam ao mercado atrativas em relação às demais companhias do setor, como Pão de Açúcar. "Mas como a empresa opera principalmente com produtos da chamada linha branca, é mais suscetível a eventuais medidas de restrição ao crédito", pondera.
Durante as apresentações restritas a grandes investidores (road show, no jargão de mercado), a companhia destacou o potencial de crescimento da rede em São Paulo e a consolidação na Região Nordeste, onde adquiriu a Lojas Maia. Nos últimos dois anos, o número de lojas do Magazine Luiza subiu de 444 para 604. Além da expansão esperada para os próximos anos, a companhia possui margens superiores à media do setor, segundo a analista.
O Magazine Luiza estreia no pregão da BM&FBovespa com valor de mercado de R$ 3 bilhões. Além do lote principal, a empresa registrou o suplementar, que se não for exercido em até 30 dias reduzirá o valor da oferta para R$ 805 milhões.
O início das negociações com as ações da companhia está previsto para segunda-feira, sob o código "MGLU3". O Itaú BBA é o coordenador líder do IPO. O banco atua na operação ao lado de BTG Pactual e BB Banco de Investimento.