Se depender da previsão dos quatro maiores bancos privados atuando no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevará hoje a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto porcentual, levando-a para 9,25%. Essa é a projeção de Itaú-Unibanco, Bradesco, Santander e HSBC.
No mercado financeiro como um todo, porém, permanece uma forte divisão entre os que apostam na alta agora e aqueles que acham que ela só virá na reunião de abril. A Selic está em 8,75% desde julho de 2009.
Segundo levantamento do "Termômetro do Copom", elaborado pelo Agência Estado na segunda-feira, com 61 instituições, um grupo de 32 delas, ou 52,5%, espera que a Selic suba apenas em abril. Outras 26 apostam numa elevação hoje. Duas instituições projetam aumento em junho e uma em outubro. No caso dos que preveem aumento em março e abril, a grande maioria acha que a alta será de 0,5 ponto porcentual, e apenas quatro estimam que será de 0,25 (três delas no caso da reunião que termina hoje).
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Mudança. Zeina Latif, economista-chefe do ING, diz que decidiu mudar a projeção do primeiro aumento de 0,5 ponto porcentual na Selic de abril para março quando, na posse do novo diretor de Assuntos Econômicos, Carlos Hamilton Araújo, em 26 de fevereiro, o presidente do BC, Henrique Meirelles, declarou que "atuar de forma consistente significa não evitar decisões tecnicamente justificadas que, no curto prazo, possam parecer antipáticas ou impopulares".
Ela acrescenta que a piora das expectativas inflacionárias ocorridas depois daquela declaração deve ter selado a inclinação do BC a fazer o aumento hoje. Zeina observa que, da última vez que o BC divulgou a distribuição da expectativas de inflação, no início do mês, houve uma piora tanto do número de instituições que projetam que ela vai ultrapassar a meta de 4,5% em 2010, quanto da distância que ela ficará da meta. No caso de 2011, em que a projeção mais frequente também está acima da meta, a distância também aumentou, embora menos.
Já Roberto Padovani, estrategista do WestLB, está no grupo que aposta em alta de 0,5 ponto porcentual em abril. Para ele, o BC não está atrasado na política monetária, e tem tempo até abril para se certificar se de fato o aumento da inflação no início do ano, muito ligado a fatores sazonais e ocasionais (como ônibus, escolas e alimentos), tem um componente mais permanente.
Padovani vê sinais de uma acomodação no ritmo da recuperação econômica, como o fato de que o indicador de ocupação da capacidade instalada na indústria da Fundação Getúlio Vargas (FGV) ter chegado há pouco tempo no nível médio de 2005 a 2007, ainda abaixo do pico pré-crise em 2008. E ele também acha que o BC prefere "preparar a sociedade" para a alta. Os sinais emitidos nas atas e comunicados do BC ainda não apontaram, diz ele, que a elevação dos juros é iminente.