O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira, 4, que o País não sofrerá uma recessão em 2009, apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter admitido que o Brasil enfrentará uma retração. "Nós não vamos ter uma recessão em 2009", afirmou o ministro ao ser questionado por jornalistas se poderia comentar a afirmação do presidente.
"O presidente falou uma dimensão da crise econômica e o ministro (do Planejamento) Paulo Bernardo se antecipou e disse que concorda com o presidente... Nós estamos vendo uma desaceleração da economia... mas não vamos ter uma recessão", acrescentou Mantega.
Ele admitiu, porém, que o Brasil pode crescer menos do que os 4% definidos como meta para 2009. "Vamos perseguir ao máximo os 4%. Não é algo que vamos necessariamente acertar na mosca, podemos crescer 3,5% ou um pouco mais", afirmou, na entrevista sobre o balanço de dois anos do PAC.
Mantega adiantou que o PIB do primeiro trimestre deste ano deverá ser menor do que o resultado verificado nos primeiros três meses de 2008 e deverá ficar "mais ou menos" igual ao registrado de outubro a dezembro do ano passado.
De acordo com o ministro, a economia brasileira apresentará um ritmo lento no primeiro semestre, acelerando o crescimento já a partir da segunda metade do ano. Ele afirmou que o alcance da expansão de 4% dependerá do esforço que o governo está fazendo. "É o momento de ousadia. Não é o momento de ficar parado", reforçou. Ele lembrou que o governo adotou medidas como a ampliação de recursos para viabilizar financiamentos do BNDES.
Segundo ele, o governo vai utilizar o PAC e instrumentos fiscais, como desoneração tributária, para estimular a economia e atingir o maior nível de crescimento possível. Em relação a diferentes projeções de analistas, em geral mais pessimistas do que a do governo, Mantega afirmou que, antes da crise, era mais fácil fazer previsões; agora, há maior volatilidade e imponderabilidade. "Nós sabemos que há condições de termos crescimento este ano", disse Mantega.