O desempenho mais fraco do que o esperado da produção industrial e das vendas motivou o governo a reduzir, de 2% para 1%, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Previamente, o governo já vinha antecipando que trabalhava com uma projeção de crescimento de 0,7%, mas na última hora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, determinou uma mudança no relatório de avaliação de receitas e despesas que está sendo enviado ao Congresso Nacional. Ele pediu a troca da estimativa do crescimento econômico de 0,7% por 1,0% do PIB. Segundo assessores do ministro, ele não havia sido consultado previamente pela sua equipe sobre o parâmetro que constaria no documento oficial.
O secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, informou que o crescimento de 1% será puxado pelos investimentos do setor público e das estatais. Juntos, eles responderão por 0,7% de crescimento, sendo 0,4% somente da Petrobras e 0,3% de investimentos dos demais ministérios. Outros 0,3% de crescimento serão proporcionados pela recuperação da economia, principalmente a partir do segundo semestre do ano.
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Barbosa ponderou que, apesar do número baixo representado pela média de crescimento do ano, a economia brasileira será da ordem de 3% a 4% no último trimestre de 2009. Esse desempenho será garantido, em primeiro lugar, pela taxa de juros "mais baixas da história recente".
Estimativas de mercado apontam que a Selic, a taxa básica de juro da economia, pode chegar a 9% ao final do ano, mas o secretário acredita que a queda pode ser ainda maior. Outra razão para otimismo é o programa Minha Casa Minha Vida, que está ainda na fase de análise de projetos. "As construções começam no segundo semestre e vão se acelerar", disse.
Finalmente, o crescimento significativo no último trimestre do ano ocorrerá por um efeito estatístico, que garante um número alto porque a base de comparação é o último trimestre de 2008, bastante fraco por ter sido o período mais agudo da crise.
Revisões
O governo também revisou a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,5% para 4,3%, ligeiramente abaixo do centro da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central.