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Materiais de construção têm alta de até 20%

31 dez 1969 às 21:33

O aumento da demanda em praticamente todos os setores do varejo chegou também à construção civil. O segmento já registra alta de preços de materiais de construção - alguns produtos tiveram seus custos reajustados em até 20% - e também falta mão-de-obra qualificada para executar os serviços nos principais pólos do Estado: Região Metropolitana de Curitiba, Londrina e Maringá. Esse fenômeno tem contribuído para uma maior formalização do setor e à valorização do próprio profissional, que tiveram seus salários reajustados e passaram a ser disputados pelas construtoras.

Na avaliação do economista Vamberto Santana, assessor econômico da Federação do Comércio do Paraná, o ''culpado'' pelo aumento de preços e dos empregos é a própria demanda. ''(A pressão) Não é só da indústria da construção civil, mas dos consumidores. Os financiamentos do governo e o aumento da renda levaram muitas famílias a promover consertos e melhorias em suas casas. De fato aumentou o volume das construções'', comenta. Segundo ele, os salários de pedreiros e marceneiros, por exemplo, subiram entre 10% e 15% em todo o Estado e chegam a variar de R$ 800 a R$ 1,5 mil, dependendo da empresa e da qualificação.


Já os preços dos materiais de construção estão em ascendência desde o início do ano. Itens fundamentais em uma obra como cimento, ferragens, areia e pedra estão até 20% mais caros no varejo. Segundo Adriano Montanari, presidente da Federação do Comércio de Materiais de Construção do Paraná, o custo do aço foi reajustado em cerca de 15%, puxado pela cotação no mercado externo. Também foram registrados aumentos nos preços do tijolo (entre 8% e 10%), do cimento (entre 3% e 3,5%), da areia e da pedra (de 5% a 6%).


''Os preços dos materiais não estão subindo tanto quanto (os preços) dos alimentos até porque os comerciantes estão cautelosos e estão repassando o aumento dos custos devagar para que as vendas não sejam prejudicadas'', argumenta Montanari. Ele acrescenta, inclusive, que o movimento nas lojas chegou a crescer, em média, 10% se comparado com o mesmo período do ano anterior. ''Antes os preços estavam defasados, agora o consumo foi normalizado. Quando há mais procura que oferta os preços sobem, é a lei do mercado'', comenta.


Valor do m2


Este aumento de preços dos produtos também deve começar a repercutir no preço do metro quadrado construído, na avaliação de César Luiz Gonçalves, presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Materiais de Construção do Paraná. Segundo ele, a inflação do setor é de cerca de 10% ao ano, quase o dobro da inflação oficial que está na casa dos 5%. ''O varejo não está afoito para repassar este aumento de preços, mas quando a indústria aumenta (os preços), o comércio também tem que aumentar para não cair a margem de lucro'', argumenta.

Segundo ele, até abril as vendas tinham crescido cerca de 16% no Paraná na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto no restante do País o movimento havia sido 15% maior. Gonçalves acrescenta que o ''movimento formiguinha'' também está em expansão. ''Para as classes C e D é um orgulho ampliar sua casa e estas ações individuais estão provocando este aumento no movimento'', observa.


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