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Para FHC, Brasil está 'sem estratégia' econômicia

Agência Estado
24 jan 2011 às 09:13

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O Brasil não tem estratégia - seja industrial, comercial ou para o câmbio. O alerta foi feito ontem, em Genebra, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Para ele, o País não pode voltar a ser apenas um exportador de commodities e deve pensar o que fazer com os recursos da alta atual dos preços dos produtos primários.

"O que tem no Brasil é uma situação delicada. O Brasil está sem estratégia e isso é muito preocupante", afirmou o ex-presidente. "O mundo mudou muito e não temos um plano para enfrentar esse mundo. Vai ser necessário ter uma nova estratégia. Temos de inventar uma estratégia e as políticas consequentes para essas estratégias. Mas não estou vendo nada disso e nem que isso esteja sendo definido."

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Em 2010, diante da alta dos preços de produtos primários, a renda com a exportação agrícola bateu recorde e pela primeira vez em décadas o Brasil vendeu mais commodity do que produtos industrializados. "Nesse momento, isso dá recursos. Mas o que vamos fazer com esses recursos? Qual é a estratégia de desenvolvimento do setor industrial? O que faremos quando os preços internacionais de commodities caírem? Não tenho visto respostas para nada disso", afirmou.


Para Fernando Henrique, o Brasil precisa escolher setores para apostar. "Não dá para apostar em tudo. Quais são os setores que o Brasil, olhando para frente, terá vantagens comparativas? Está faltando tudo isso."


Na avaliação do ex-presidente, a relação com a China é chave e tem de ser repensada. Ao Estado, Fernando Henrique apontou como alguns no governo "pensavam que Pequim seria a salvação do Brasil". "Diziam que a China nos ia salvar. Hoje, vemos que ela produz o efeito positivo e negativo sobre a economia do Brasil. Fez explodir a exportação de commodities. Mas dificulta em parte as manufaturas", alertou. "Não temos uma estratégia para lidar com a China."


Real


Fernando Henrique também alertou que o governo está "visivelmente perdido" sobre o que deve fazer com o câmbio. "Não adianta achar que poderemos intervir. Por quanto tempo? Isso não é sustentável e não temos reservas para isso", disse. "Criticaram muito meu governo por dizer que o real estava sobrevalorizado. E agora?"


Aos jornalistas brasileiros, explicou que a valorização do real não é só do real. "É no mundo todo e é a desvalorização do dólar." Para Fernando Henrique, a disciplina fiscal é algo que não tem como se fugir no governo. "A situação obriga a fazer isso. Mas terá de fazer mais que isso."

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Irônico, Fernando Henrique Cardoso diz que vê uma diferença entre os governos Lula e Dilma: "Não preciso ver o Lula todos os dias na televisão." O ex-presidente admite que o estilo de Dilma, por enquanto, tem sido mais "discreto e tecnocrático". "Mas isso não é o importante. O importante é saber o que ela vai fazer", disse.


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