Neste ano o Camelódromo Central de Londrina comemorou 10 anos de existência. Em 2002, o então prefeito Nedson Micheleti (PT) alugou o prédio até hoje utilizado, na esquina das ruas Mato Grosso e Sergipe, para instalar mais de 300 lojistas que, antes do espaço, faziam o comércio pelas principais ruas e avenidas da região central. Foi gasto mais de R$ 1 milhão em readequações e incentivos: R$ 210 mil na reforma do prédio e o restante para o pagamento dos primeiros meses de aluguel do prédio. Na época, a gestão petista alegou que optou pela transferência para fazer a revitalização das praças públicas e da avenida Leste-Oeste, os pontos até então mais utilizados pelos vendedores informais.
A prática deixou os comerciantes da área central indignados, principalmente os que mantinham estabelecimentos nas proximidades do novo shopping popular. A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) criticou duramente a proposta, mas a série de manifestações não fez o poder público voltar atrás. "Hoje em dia, boa parte dos nossos lojistas são associados da Acil. Acho que isso já reflete a mudança registradas nesta década", argumentou um dos coordenadores do Camelódromo Central, Samuel dos Santos.
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Santos acompanhou de perto o caminho feito pelos lojistas atrás da regularização. Ele coordena o espaço desde o início. O 'divisor de águas', na avaliação do vendedor, veio em 2007, com a Operação Capitão Gancho 2. Quando o Camelódromo completou cinco anos de vida, policiais invadiram o espaço e fizeram a apreensão de R$ 3 milhões em produtos irregulares. Dez caminhões lotados de roupas, brinquedos, eletroeletrônicos e CDs e DVDs piratas foram recolhidos. O prejuízo foi de R$ 30 mil por loja. "Foi depois disso que a gente começou a criar a consciência de que é importante ter um CNPJ, um alvará de funcionamento, ser uma micromepresa... O salto foi gigantesco", destacou Santos.
Atualmente, de acordo com o coordenador, cerca de 90% dos atuais 350 lojistas são regularizados. Um crescimento de 10% do ano passado para cá. "Não existe mais aquela questão de instabilidade. Hoje os nossos lojistas compram em atacado e em importadoras e exigem a nota fiscal. É claro que uma parcela deles continua indo ao Paraguai pegar produto pirata, mas isso não acontece só aqui no Camelódromo. Se você for pegar a rua Sergipe mesmo, por exemplo, uma parcela dos comerciantes também cultiva a prática de vender produtos irregulares. Isso vai acontecer em todo e qualquer lugar", disse.
Os ainda informais, segundo Santos, são formados, principalmente, por vendedores temporários. "Os 90% que já regularizaram estão no Camelódromo há muitos anos. Os outros 10%, no entanto, são rotativos. Chegam, ficam oito meses e fecham a loja. Por isso que é difícil fiscalizar e cobrar a regularização", justificou.
A regularização também vem de encontro com as melhorias autorizadas ou feitas pelos lojistas no atendimento à população. "Instalamos ar-condicionado e até escadas rolantes no prédio. Acabamos de finalizar uma reforma no mezanino, para atender as normas do Corpo de Bombeiros. O investimento foi alto, R$ de 150 mil, mas necessário para dar mais comodidade ao lojista e, principalmente, aos clientes", garantiu Santos.
No início deste ano, o espaço passou por vistoria do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR). O órgão constatou problemas graves no sistema elétrico do prédio, que, de acordo com Samuel dos Santos, já foram resolvidos. "Hoje, a fiação do espaço é nova", garantiu. A readequação da parte elétrica custou R$ 400 mil aos lojistas e ao dono do prédio. "Fizemos uma parceria com ele", explicou o coordenador.
Atualmente, o aluguel pago ao proprietário do imóvel gira em torno dos R$ 100 mil mensais. "Já andamos com as nossas próprias pernas", concluiu Santos.