O preço do leite nos supermercados paranaenses está 21% mais caro do que no início do ano. Só no mês de abril a alta foi de 11,15%. A constatação é da Associação Paranaense de Supermercados (Apras) que informou, ainda, que os lojistas estão tendo dificuldades em buscar o produto e negociar promoções.
Segundo o presidente do Sindileite, Wilson Thiesen, a alta é decorrência de uma recomposição no preço do produto, que estava muito baixo devido à grande oferta da commodity na última safra, alavancado com a queda na produção em razão da estiagem nas regiões produtoras. ‘Nesta época do ano, os preços são superiores. Hoje ainda está abaixo do patamar mais alto de 2007. E tivemos também um outono atípico, muito seco, o que atrapalhou a produção de aveia e azevem, encarecendo em demasia o custo de alimentação do gado", explica.
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De acordo com Thiesen, não há uma perspectiva de retomada da produção nos próximo 45 ou 60 dias, período em que o preço do leite deve permanecer no patamar atual. ‘Essa situação também não é boa para o produtor. Ele foi penalizado com o baixo preço no final do ano passado e agora não consegue se recuperar porque não tem oferta do produto e os custos têm preço fixo", argumenta.
Conforme informações da Apras, em períodos de precipitação regular, a queda na produção de leite chega a 20% nessa época do ano devido à chegada do inverno. Mas esse ano a redução será ainda maior e pode atingir a marca dos 35%.
Para o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, a alta nos preços é bem superior a sentida no mesmo período dos anos anteriores, principalmente para os leites longa vida. Mas, além do fator climático, o economista acredita que o empresário do setor tem aproveitado o momento para reduzir o impacto sentido pela crise, recompondo sua margem de lucro.
Segundo Cordeiro, o aumento nos preços do leite deve influenciar o valor da cesta básica, por ser um dos principais produtos de sua composição, bem como na inflação do próximo período.