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Presidente do Bradesco: Brasil tem 3 bônus contra a crise

25 jan 2012 às 13:45

O Brasil possui três "bônus" que permitem proteção em relação a um eventual agravamento da crise na Europa, avalia o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. São eles: a taxa de juros, os depósitos compulsórios e as reservas internacionais. Ou seja, em caso de necessidade, o Banco Central tem espaço para relaxar mais a política monetária e conta com recursos disponíveis para serem usados se o comércio externo precisar.

"A liquidez interna e externa e os juros são três pilares que dão condições excepcionais para o governo", disse em entrevista exclusiva à Agência Estado, em Davos.


No cenário externo, a renegociação da dívida da Grécia desponta como o principal risco no curto prazo. Na avaliação de Trabuco, "está na cabeça de todos" a responsabilidade nesse processo, pois uma solução negociada é melhor que um rompimento. Segundo o executivo, em eventos desse tipo, as negociações são mesmo longas.


"Tem de ser um processo trabalhoso para que o renegociado valorize o que está recebendo", afirmou. Da mesma forma, o tamanho da perda líquida para os credores privados (haircut) precisa estar num nível de "conforto", para que não passe a impressão de que o devedor levou vantagem.


Para ele, o mundo não possui problema de liquidez hoje, e sim de dívida soberana em países desenvolvidos. "A liquidez quer e vai trabalhar", afirmou. "O Brasil vai se aproveitar da liquidez internacional como poucos no mundo."


Selic


O presidente do Bradesco acredita que o cenário macroeconômico brasileiro possibilita a redução da taxa de juros para abaixo de 10%. "As condições para a Selic em um dígito estão colocadas e são favoráveis", afirmou há pouco, em entrevista exclusiva à Agência Estado, em Davos, na Suíça.


Ele acredita que a inflação deve convergir para a meta este ano e que a demanda não está num nível que desperte grande risco para os preços. Trabuco prevê crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% em 2012. Desde agosto do ano passado, o Banco Central já cortou os juros em dois pontos porcentuais, para 10,50%. Na avaliação dos economistas, a Selic ainda cairá mais. A dúvida é saber até onde a taxa irá.


O presidente do Bradesco acredita que, no médio prazo, a tendência de redução dos juros é irreversível para o Brasil. "O País irá buscar convergência com taxas de juros internacionais."


Trabuco reiterou a projeção de crescimento de 20% do crédito neste ano, puxado principalmente pelas empresas. Segundo ele, a força do mercado de trabalho dá condições para que o sistema de crédito conviva com um nível considerado baixo de inadimplência. O executivo não vê problemas no atual cenário de endividamento das famílias, pois alega que os prazos dos financiamentos são curtos.

Trabuco acredita que, em cinco a dez anos, o real será visto como uma das moedas de reserva. "A crise no mundo contribui para diferenciar um país emergente que teve compromissos e coerência."


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