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Produção estagnada sinaliza Selic baixa e pressiona juro

Agência Estado
03 jul 2012 às 10:57

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A produção industrial brasileira caiu 0,9% em maio, ante abril, respaldada por um recuo de 1,8% no setor de bens de capital que devolve parte da alta mensal anterior. O desempenho aponta um quadro de estagnação do parque fabril nacional e deve levar a curva a termo de juros a ampliar a probabilidade de cortes adicionais da Selic no curto prazo ou de manutenção da taxa básica em patamares baixos por um horizonte mais prolongado. Nos demais vetores do dia, o exterior segue galvanizado pela esperança de medidas vindas do Banco Central Europeu e do Federal Reserve, oferecendo um suporte para a queda das taxas.

"O resultado foi muito ruim, na margem. O segmento de bens de capital, com queda de 1,8%, é o principal destaque negativo e, possivelmente, explica boa parte do desempenho fraco da indústria", comentou o economista da LCA Consultores, Antônio Madeira, citando que o segmento de bens de capital apresentou alta de 1,9% em abril ante março. "Há um quadro de estagnação, em função da demanda fraca da economia", disse Madeira, observando que os investidores devem começar a trabalhar com a probabilidade de o Banco Central esticar a queda da taxa de juros. "O mercado pode começar a apostar nisso, ou pode começar a apostar que o juro deve ficar baixo nesse patamar por um período mais prolongado", comentou.

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Essa expectativa de prolongamento da taxa básica em patamar mais baixo por um horizonte mais longo já afeta a estrutura da curva. Na abertura, esse processo já estava se confirmando. O janeiro de 2013 projetava taxa de 7,60%, de 7,61% no ajuste de ontem. O janeiro de 2014 cedia a 7,82%, de 7,84%. Nos longos, o janeiro de 2021 apontava 9,87%, de 9,92%.


Dos 27 setores investigados, 17 apontaram recuo no levantamento do IBGE. Os principais impactos negativos foram observados nos setores de veículos automotores (-4,5%) e de alimentos (-3,4%). O primeiro interrompe três meses de taxas positivas consecutivas com crescimento de 22,7% nesse período, enquanto o segundo acumula perda de 7,1% em dois meses seguidos de recuo na produção.


Não deve ter implicações nos negócios a informação de que a Eletropaulo Metropolitana confirmou a aprovação ontem, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do índice final de revisão tarifária periódica da companhia de -9,33% (efeito médio a ser percebido pelo consumidor) e -5,60% (efeito econômico) referente a 4 de julho de 2011. "Há dois movimentos. Um é a revisão tarifária. O outro movimento é o reajuste de tarifa, que deve ser positivo", comentou Madeira. "No final, devemos ver uma queda líquida entre 2% e 3% nos preços finais, o que já está na conta para o IPCA de julho. A decisão já era aguardada", afirmou.


Entre os dados regionais, a inflação da cidade de São Paulo, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), registrou alta de 0,23% em junho, abaixo do 0,35% do fechamento de maio, mas acima do 0,21% da terceira quadrissemana de junho. O resultado ficou acima da mediana projetada de 0,20%.

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Do vetor externo, o mercado de juros herda mais uma vez um clima positivo inflado pela esperança de que o Banco Central Europeu possa tomar alguma medida como um corte de 0,25 ponto porcentual no juro básico da zona do euro na quinta-feira. Com base nessa esperança, as bolsas sobem marginalmente. No segmento de renda fixa, o juro da T-Note de 10 anos está em 1,6040%, de 1,590% no final do dia de ontem.


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