Em seu discurso na abertura do 2º Encontro de Prefeitas e Prefeitos Eleitos, em Foz do Iguaçu, o governador Roberto Requião propôs a estatização do crédito, o controle do câmbio, o investimento pesado em obras de infraestrutura e a desoneração do consumo, para que o Brasil venha a superar a atual crise mundial sem maiores conseqüências para a população.
Para o governador, os prefeitos eleitos assumem as prefeituras num momento extremamente difícil, onde o problema básico é a falta de crédito. "Os jornais desta semana mostraram que o dinheiro em dólar que entrou no Brasil foi mais ou menos igual ao que entrou todos os meses. Mas a questão tem fulcro na saída. Saíram dólares em quantidade enormes e a nossa balança teve um déficit de US$ 7 bilhões. Isto significa que os dólares estão indo socorrer os empreendimentos de empresas nos Estados Unidos e em outros países e que nós temos uma crise de financiamento. Precisamos de medidas que corrijam este processo", disse.
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A primeira proposta apresentada pelo governador foi a estatização do crédito. Requião lembrou que o governo federal, que vinha mantendo uma reserva respeitável de cerca de US$ 220 bilhões, entrega parte desses recursos aos bancos, que "ao invés de lubrificarem a economia, fazendo com que as empresas tenham recursos necessários para continuarem existindo e mantendo o nível de emprego, acabam investindo em Letras do Tesouro e não repassam esses recursos para a economia. Portanto, na minha opinião, o presidente da Republica precisa imediatamente estatizar o crédito. Não adianta repassar dinheiro para banqueiros, que vão cuidar da sua própria liquidez. O Banco do Brasil e o Banco Central deveriam chamar a si a responsabilidade do crédito. Não estou falando em estatizar bancos, mas créditos, e obrigar que os bancos repassem recursos a iniciativa privada".
"Nos precisamos de financiamento – continuou – para as empresas nacionais, de salários mais altos para a população, aumentando a capacidade de consumo que por sinal já vem crescendo no Brasil, através de políticas federais e aqui no Paraná com o salário mínimo regional que nos implantamos. Povo sem dinheiro não compra. E, quando o povo não compra, a economia pára. De nada adianta produzir se não há comprador. E as exportações que sustentavam o país sofrem uma crise. Os importadores diminuem as encomendas".
Quanto a proposta de controle do câmbio, Requião disse que inadmissível um prejuízo de US$ 7 bilhões num mês porque "quem internacionalizou dinheiro no Brasil para ganhar com a taxa fantástica de juros que o nosso Banco Central garantiu, no primeiro momento em que lhe apraz, retiram esses recursos do Brasil nos deixando numa situação difícil. O fundamental é que estatizando o crédito e centralizando o cambio, o governo federal invista pesadamente em infraestrutura no país, a nossa terceira proposta".
Requião entende que o governo federal, o Governo do Paraná e as prefeituras, no limite das possibilidades de cada um, venham a investir na economia. "Gerar empregos na construção civil, construir e melhorar estradas, porque em nosso país 60% de seu território não é acessado por ferrovia, rodovia, energia elétrica e sequer por telefone. O crescimento do país não pode se suportar mais o modelo das commodites. Não podemos ser uma "plantation" para os paises mais desenvolvidos. Precisamos acelerar o desenvolvimento industrial e tecnológico. Essas medidas são fundamentais. O PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) é formidável contra a crise. Mas ao invés de sugerirem paralisações ou cortes, deveriam sugerir sua incrementação. O PAC precisa ser ampliado. Não pode faltar recursos ou uma contrapartida, quer seja do governo estadual ou das prefeituras. Precisamos manter os investimentos com o objetivo principal de manter o emprego dos brasileiros".
Por último, o governador propôs a ampliação dos incentivos às micro e pequenas empresas dentro do limite da possibilidade da Lei de Responsabilidade Fiscal. "Estamos na frente no Brasil. A mortalidade empresarial do Paraná é infinitamente menor que a registrada em outros estados. Mas nos devemos fazer mais". E este incentivo passa pela desoneração do consumo, através da lei de autoria do próprio governo reduzindo a carga tributária de mais de 90 mil produtos.