Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizam nesta quarta-feira (12) um ato simbólico em Curitiba, para reivindicar a aprovação do reajuste do funcionalismo e das gratificações de qualificação. O protesto acontece das 10 às 12h, na Boca Maldita, no centro, e conta com a participação de representantes de outras entidades do funcionalismo público nacional, como Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Nacional do Câncer (Inca) e funcionários da área de ciência e tecnologia. No total, ao menos 150 pessoas, de diferentes Estados, são esperadas no local, de acordo com os organizadores.
Segundo o Sindicato Nacional dos Servidores do IBGE (ASSIBGE), a capital paranaense foi escolhida como sede da mobilização, ao invés de Brasília, que geralmente recebe ações desse tipo, por ser o "aconchego político" da ministra-chefe da Casa Civil, a senadora Gleisi Hoffmann (PT).
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O coordenador do núcleo sindical no Paraná do ASSIBGE, Luis Almeida Tavares, conta que, apesar de aprovados na Câmara, os projetos de lei sobre o reajuste e as gratificações dos trabalhadores precisam ser regulamentados e, em seguida, sancionados pela presidente Dilma Rousseff. "Precisamos resolver esse problema porque, se a regulamentação não ocorrer, o nosso aumento de 5%, válido a partir de 1º de janeiro, vai ser prejudicado. O objetivo é pressionar o governo e, principalmente, a Casa Civil, já que o decreto-lei se encontra lá", afirmou.
PIB - O ASSIBGE também critica o posicionamento do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em relação à divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB), que ficou abaixo das previsões do governo e dos analistas do mercado financeiro. "O governo também está pressionando que o IBGE refaça os cálculos do PIB, pois não houve crescimento nos últimos três trimestres, e isso é querer tirar a autonomia do IBGE, o que não aceitamos", diz Tavares. "O IBGE não é uma instituição do governo, e sim do Estado brasileiro. A gente tem que ter essa autonomia, garantida pela Constituição Federal. Não se pode alterar uma metodologia para agradar governo", completou.
IBGE – O Instituto possui hoje aproximadamente 7,5 mil servidores em todo o País, sendo que 635 estão distribuídos nas 37 agências espalhadas pelo Paraná. Destes, pouco mais de 220, de acordo com o sindicato, são contratados e o restante são temporários.
Segundo o coordenador do núcleo sindical, os funcionários irão trabalhar normalmente antes e depois do ato, sem prejudicar o desenvolvimento das ações cotidianas. "É um dia de mobilização, e não de paralisação", explicou.
Outro lado - A assessoria de imprensa do Ministério da Casa Civil informou que o texto do projeto de lei sobre o reajuste e as gratificações dos trabalhadores está em fase final de elaboração pelo governo federal. (atualizado às 17h51).