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Setor de lanches em Londrina sente a crise, mas empresários apostam na diversificação

25 ago 2015 às 18:38

Com o consumo em queda em todo o país - a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta retração 32,3% na Intenção de Consumo das Famílias (ICF) entre agosto de 2014 e agosto de 2015 -, estabelecimentos comerciais de Londrina também têm sofrido com a redução do movimento. No ramo da alimentação, a chamada crise chegou até o setor de lanches, tradicionalmente o mais barato da cadeia gastronômica.

O empresário Maurício Faiad, proprietário desde 2003 da lanchonete Kero Ke Ry, tem na ponta do lápis os números do mau momento atravessado. "Tenho até sorte, porque sei de diversos colegas com dificuldades maiores, mas tive queda de quase 20% em julho, que sempre é um mês muito bom para mim por conta das férias escolares", afirma. Entre fevereiro e julho, a queda média é de 10% em comparação aos mesmos meses de 2014.


Ele também revela ter demitido 18 dos 60 funcionários que tinha no começo de 2015. "A categoria teve aumento de quase 9%, não consegui manter todo mundo. Hoje gasto praticamente o mesmo que antes com a folha de pagamento, mas com menos gente. Também observei aumento de 20% a 25% no preço dos meus principais insumos", calcula.


Para tentar contornar a situação, Faiad está mantendo congelados os preços do cardápio desde abril do ano passado. "Tudo está subindo, mas tenho medo de mexer e sofrer uma queda ainda maior. Decidi bancar, só não sei quando vai melhorar e já estou preocupado com 2016", projeta.


On-line


A economia dos consumidores também começa a chegar às vendas pela internet. Segundo Roberto Moreira, co-fundador da startup londrinense A Deliveria, adquirida em abril pela paulistana iFood, a taxa de crescimento do serviço on-line, que foi de 16% no trimestre formado por março, abril e maio, caiu para 4% em junho, julho e na previsão para agosto. "Não significa uma queda no número de pedidos feitos, mas uma freada no aumento da procura", explica. Até ser vendido ao iFood, o site registrava média de 15 mil pedidos por mês e cerca de 150 estabelecimentos cadastrados.


Segundo Moreira, o tíquete médio não apresentou variação considerável, passando de R$ 26,00 para R$ 27,00 na comparação dos trimestres - alteração compatível à inflação do período. No entanto, mais pessoas têm dispensado o serviço de entrega - e, consequentemente, evitado a taxa - para buscar os lanches em estabelecimentos perto de suas casas. "Estão preferindo opções mais próximas e deixando o conforto um pouco de lado para economizar", avalia. Para atrair os consumidores, alguns empresários cadastrados no aplicativo têm oferecido a isenção da taxa de entrega.


O co-fundador da startup não revela o nome das empresas, mas informa que algumas chegaram a registrar queda de 30% nos volume de pedidos pelo serviço.


Diversificação


Outra estratégia adotada pelos estabelecimentos para segurar o faturamento é a diversificação das atividades. A tendência já foi observada pelo diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no Norte do Paraná, Arnaldo Falanca. "Percebemos que algumas casas estão fazendo tentativas. É importante que consigam alcançar os clientes nas mídias sociais ou convencionais para que eles saibam destes novos horários e serviços", recomenda.


A Abrasel ainda aguarda a confecção de uma relação sobre quantos estabelecimentos estão aderindo a novos modelos ou ampliando suas operações em Londrina. Para Falanca, a diversificação em um momento de dificuldade financeira precisa ter alguns cuidados. "É necessário manter um padrão profissional de atendimento e qualidade", afirma.


Desde o dia 10 de agosto, o restaurante e pizzaria Rosso Pomodoro da avenida Higienópolis tem aberto suas portas para o café da manhã. Segundo o gerente Lucas Aragão, a ideia é antiga, mas foi colocada em prática mesmo com a queda do movimento no horário tradicional de funcionamento. "Se for ver bem, aumentamos a oferta no momento errado, já que neste ano tivemos uma redução de 20% à noite, mas a ideia é antiga e uma hora precisávamos começar. Sempre tivemos isso em mente, abrir cedo e fechar tarde, como fazem as casas italianas", justifica.


O planejamento, segundo ele, foi feito há cerca de um ano e, quatro meses atrás, o estabelecimento passou a servir almoço. "A ideia é atrair as pessoas que estão na rua e querem almoçar durante o expediente ou fazer um café rápido. Ainda não dá para avaliar o resultado do café, mas o almoço tem ido bem", comemora.

Maurício Faiad, do Kero Ke Ry, lançou um prato família com preço mais em conta para atrair os consumidores. "Estou sentindo uma ausência muito grande deste público, que sempre foi significativo para nós. O número de casais e pessoas sozinhas continua praticamente o mesmo, mas as famílias têm vindo menos porque é mais caro para eles", conclui.


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