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Startup francesa vai oferecer carona paga no Brasil

Agência Estado
12 out 2015 às 12:27

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Uma startup francesa quer começar em breve o serviço de carona paga entre cidades brasileiras. Depois de receber um aporte de US$ 200 milhões, em setembro, de três fundos de venture capital, a Blablacar corre para que as viagens compartilhadas entre cidades do Brasil comecem este ano. Em meio à polêmica acalorada sobre o Uber, a empresa diz que não teme reação das empresas de ônibus que fazem o mesmo serviço.

Com mais de 20 milhões de usuários em 19 países, a Blablacar usa um aplicativo para criar uma comunidade de motoristas e viajantes. Quem dirige e vai viajar informa com antecedência trajeto, horário e estipula um preço para cada lugar no carro. Quem quer viajar, vê as opções de horário e preço e escolhe o motorista. Assim, é criada uma rede alternativa de transporte entre cidades.

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Ao contrário do Uber, a Blablacar só oferece o serviço entre cidades - não é possível viajar entre dois bairros. Além disso, a empresa diz que os motoristas não podem ter lucro com a oferta dos lugares no carro - o que não livra o serviço de polêmica.


"O preço é definido pelos condutores, mas ele não pode ter lucro. A ideia é que os custos diretos, como combustível e pedágio, sejam compartilhados", diz o diretor-geral da empresa para a América Latina, Julien Lafouge. Em português, o executivo francês resume o serviço como "rachar custos". "Ninguém pode fazer para ganhar a vida. Se fizer, vamos agir", diz.


Uma das funções do escritório que está sendo montado na capital paulista é exatamente criar parâmetros para evitar que condutores tenham lucro com a venda dos lugares no carro. Por isso, a empresa costuma estabelecer um valor teto para as viagens. Outra função do escritório é montar procedimentos para afastar potenciais problemas na relação entre motoristas e usuários. Por isso, o uso do serviço tende a passar por um pente-fino para a identificação das pessoas.


Em Portugal, por exemplo, um lugar na viagem de 320 km entre Lisboa e Porto é oferecida por motoristas a partir de ¤ 12. De ônibus, a viagem custa a partir de ¤ 17 e de trem, ¤ 24 na segunda classe. Em outros países da Europa, como França, Inglaterra e Espanha, as viagens pelo serviço costumam ser mais baratas que as opções tradicionais como ônibus ou trem. Se a lógica prevalecer no Brasil, empresas que fazem o serviço entre cidades poderiam reagir.


Uber e Airbnb


Em meio à iniciativa de taxistas brasileiros que lutam para acabar com o serviço do Uber em várias cidades, Lafouge diz que a Blablacar não teme ser alvo de empresas de ônibus que oferecem linhas entre cidades. "Não estamos oferecendo um serviço. Apenas conectamos pessoas físicas que têm interesse comum de ir de A para B com base na confiança criada pelo site e aplicativo", diz.


Alguns economistas classificam serviços como o oferecido pela francesa de "economia compartilhada" ou "P2P" - sigla em inglês para "pessoa para pessoa". É o mesmo conceito do Airbnb, empresa dos EUA que conecta donos de imóveis com quem procura uma locação temporária.

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Ainda que esse tipo de iniciativa seja realizada entre pessoas físicas, empresas têm reagido. Em cidades turísticas como Barcelona e Amsterdã, o setor hoteleiro faz campanha contra o Airbnb e pede a regulamentação do serviço. Em Barcelona, o uso do Airbnb passou a ser taxado pela autoridade local a exemplo do que acontece com os hotéis. (As informações são do jornal O Estado de S.Paulo)


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