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Trabalhadores da Renault voltam às atividades dia 8

31 dez 1969 às 21:33

A Renault do Paraná não vai demitir nenhum dos funcionários que tiveram o contrato de trabalho suspenso e receberam Bolsa Qualificação do Governo Federal. Ao contrário do que foi noticiado nesta quarta-feira (20), uma reunião definiu os ajustes necessários para absorver os cerca de 280 empregados que estão afastados. Eles voltam ao serviço no dia 8 de junho.

O acordo de suspensão foi assinado em janeiro, por sugestão do Governo do Estado, e evitou a demissão de 800 pessoas. Segundo o diretor de recursos humanos da companhia, Carlos Magni, cerca de 70% do pessoal afastado já retornou à fábrica. Eles voltaram antes mesmo do prazo previsto, de cinco meses. Todos receberam as parcelas do seguro-desemprego, referentes aos meses parados, aulas de qualificação profissional e salários completados pela empresa.


No encontro de hoje, entre representantes dos trabalhadores e o gerente de relações trabalhistas e sindicais da empresa, Marino Rodilho, foi decidida a reorganização interna, para receber os trabalhadores que voltam na próxima semana, e termos do Programa de Participação nos Resultados.


Para o secretário do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Nelson Garcia, o esforço conjunto dos sindicatos com o Governo e a empresa permite uma retomada consciente dos serviços. "Agir pensando na defesa dos trabalhadores funciona e é benéfico para todos os envolvidos. O Governador Roberto Requião adotou uma postura firme e vai manter esta posição, conversando e apresentando alternativas à todas as empresas que estiverem abertas ao diálogo", destacou ele.


"Se seguramos os empregos em janeiro, quando a crise apresentava graves efeitos em nossa economia, por que não agora que a turbulência está passando? A imprensa não pode criar burburinhos para amedrontar a população. O Paraná enfrenta a crise mundial de maneira consistente e os resultados são visíveis", completou o secretário.


De acordo com Robson Jamaica, coordenador da delegação sindical da Renault no Brasil, a participação do Governo Estadual teve peso nas decisões. "A empresa e o sindicato entendem que precisam honrar o acordo feito com dinheiro público. Sabemos que demitir geraria um enorme problema social, afinal aumentaria a inadimplência no comércio e nos serviços e só pioraria a situação", ressaltou.


EXEMPLO: A medida adotada pela fábrica da Renault em São José dos Pinhais foi modelo para a matriz da empresa, na França. Lá foram suspensos os contratos de trabalho, como feito na filial paranaense, mas houve redução da jornada de trabalho e dos salários dos empregados. Jamaica, que retornou recentemente de viagem ao país, conta que o grupo demitiu cerca de 4.900 pessoas na Europa, desde o início da crise mundial.


"No Paraná, a empresa não demitiu ninguém por conta da crise. O chefe da divisão na América Latina adiantou, inclusive, que muitos projetos vão vir para o Brasil. A matriz entende que temos economia favorável para enfrentar a crise e seremos um diferencial para os planos do grupo", revelou ele.

A montadora paranaense da Renault foi a primeira do grupo a fazer este tipo de suspensão de contratos. A medida também é a primeira do Brasil com salários completados pela empresa.


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