As fortes oscilações nos preços dos ativos, com grandes altas e baixas, devem continuar nos próximos meses, prevê Robert Engle, prêmio Nobel de economia e doutor pela Universidade de Cornell. "Eu não acredito que tenhamos chegado ao fim do período de alta volatilidade", disse, durante o 5º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, promovido pela BM&FBovespa.
Nos Estados Unidos, pelo menos até novembro, as oscilações vão continuar "substanciais" no mercado financeiro, de acordo com Engle. O congresso americano tem até novembro para apresentar um plano de estímulo à economia e Engle avalia que as discussões vão gerar muitas especulações no mercado. O economista diz ver dificuldades do governo em estimular o crescimento dos EUA. "Não vejo o que a política monetária tem a dizer. O que os Estados Unidos realmente precisam é de um pouco de inflação", disse em entrevista à imprensa.
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Para Engle, há um enorme conjunto de incertezas entre os investidores sobre os rumos das políticas macroeconômicas nos Estados Unidos e na Europa. A economia mundial terá recessão? A Europa vai adotar uma política racional para a crise da dívida soberana? O sistema político americano será capaz de criar política econômica correta? Para o economista, essas são as questões que inquietam os investidores nesse momento e provocam as oscilações dos preços.
A volatilidade é elevada quando a previsão macroeconômica é ruim e também quando a previsão é incerta, destaca o economista. Por sua vez, a previsão macroeconômica é incerta quando a política o é. "Volatilidade é a resposta natural do mercado financeiro a uma nova informação", destaca o economista em sua apresentação. Este mês, os modelos mostram que a volatilidade média, considerando o índice de ações americano S&P 500, chegou a 50%. Durante a crise financeira internacional, em 2008, ficou em 80%. Em períodos mais calmos, a volatilidade média fica na casa dos 15%.
Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a volatilidade chegou a 120% durante a crise e, nos últimos dias, ficou em 60%. "A volatilidade aumentou no Brasil, mas não é uma oscilação extraordinária como foi na Europa", disse o prêmio Nobel.
Engle destaca que os modelos atuais são eficientes para prever a volatilidade de curto prazo. Durante a crise financeira, as previsões sobre o dia seguinte foram eficientes, mas o economista ressalta que isso não é suficiente. "Uma previsão de um dia antes não basta. Precisamos prever antes quais são os riscos futuros. O horizonte de um dia é bom para investimentos de curto prazo e não de longo", afirmou, citando que uma das coisas que fez com que a crise financeira de 2008 fosse devastadora era que os títulos de hipotecas eram justamente de prazos maiores, cinco anos ou mais.