Para a coordenadora do projeto de serviços públicos do Instituto Brasileiro de Defesa dos Consumidores (Idec), Flávia Lefèvre Guimarães, o pequeno consumidor de energia poder ser o maior prejudicado pelo processo de privatização do sistema de energia no Brasil.
O problema fica maior em função da lei 8.613/93 que determina que a concessionária de distribuição de energia é quem define os valores das tarifas.
O plano de desestatização estabelece que os consumidores de até 3 megawatts serão cativos de uma única distribuidora. Ou seja, eles não poderão optar entre empresas que oferecem o serviço na região. Apenas os consumidores de mais de 3 megawatts são considerados livres, podendo escolher entre diferentes fornecedores.
No caso do Paraná, a única distribuidora de energia é a Copel, que deve ser privatizada até o fim do ano. Cerca de 80% de seus clientes são domicílios e consomem menos de 3 megawatts. Depois que a empresa for privatizada, esses consumidores serão obrigados a comprar energia dos novos donos da estatal. Apenas 20% dos clientes da Copel ficarão livres para escolher entre diferentes fornecedores após a privatização.