A adesão à greve nacional da Embrapa na unidade de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, foi total. O movimento contou com o apoio dos 150 funcionários do Centro Nacional de Pesquisas e Estudos em Florestas. Pela manhã, houve piquetes e entraram para o trabalho apenas as chefias e funcionários com cargos comissionados, informou o pesquisador Antonio Maciel Machado, diretor sindical da Embrapa Florestas.
O movimento foi iniciado depois que se esgotaram as negociações dos funcionários com a direção da Embrapa. Os funcionários pedem uma reposição salarial de 12%, enquanto a empresa acena com a concessão de 2%. Além da defasagem salarial, os funcionários reclamam da falta de recursos para a manutenção das pesquisas.
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Segundo Machado, está aprovado para este ano um orçamento geral de R$ 617 milhões para a Embrapa. E até agora, passados seis meses do ano, foram liberados apenas 10% desse valor. Com isso, está faltando dinheiro para as despesas mínimas como o pagamento de luz, telefone e para a compra de reagentes necessários para as pesquisas.
Com todos esses problemas, Machado alerta para a migração de cientistas para a iniciativa privada. Segundo o sindicalista, o governo federal gasta em torno de R$ 200 mil para formar um cientista e depois não se preocupa com a sua manutenção, que é fundamental para gerar conhecimento e novas tecnologias em benefício do bem público. Machado calcula que a falta de manutenção gera um grande prejuízo para a sociedade.
Isso porque a Embrapa tem capacidade para gerar benefícios da ordem de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões por ano, com a economia em insumos que o agricultor deixa de usar, com a geração de variedades de plantas resistentes a doenças e pragas, e ainda com a geração de cultivares mais produtivas.
Machado está apostando que nesta terça-feira deverá sair uma solução para o impasse, em reunião que será realizada em Brasília. Se não houver um acordo até o fim da semana, o sindicato dos funcionários da Embrapa vai ajuizar o dissídio coletivo no Ministério do Trabalho.