A primeira farinha de trigo produzida no Brasil com adição de 20% da fécula de mandioca foi lançada nesta quinta-feira na Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Cascavel (Fundetec). O produto é resultado de pesquisas realizadas pelo Centro Tecnológico de Amidos (CTA), da Fundetec, com o apoio do Instituto Euvaldo Ludi e Sebrae, em parceria com a empresa Agrícola Horizonte, de Marechal Cândido Rondon, que, baseada nos estudos, deu início à fabricação da nova farinha.
O coordenador do CTA, Dermanio Tadeu de Lima, explica que os primeiros estudos para utilização dessa técnica foram realizados há cerca de 20 anos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Entretanto, a técnica não teve grande sucesso na época porque o governo brasileiro passou a subsidiar o trigo, prejudicando seu desenvolvimento.
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Dermanio acredita que este projeto será uma forte ferramenta para mostrar a importância da mandioca e sua exploração industrial como fonte geradora de divisas e empregos. Além dos benefícios para as indústrias de panificação, o projeto ampliará o mercado para as indústrias de amido de mandioca e, consequentemente, o número de empregos diretos e indiretos, já que a cultura da mandioca emprega número elevado na mão-de-obra.
O coordenador do CTA ressalta que os resultados obtidos durante a fase de estudos foram surpreendentes. Em alguns casos, como a massa para pizza, por exemplo, é possível adicionar até 40% de fécula sem alterar consistência ou sabor. De acordo com a pesquisa, é viável a adição de até 20% de fécula de mandioca na farinha de trigo utilizada no pão francês e 25% para os pães de hambúrguer e cachorro-quente.
Diante das experiências e o sucesso das pesquisas, a farinha já está sendo utilizada por algumas cidades da região Oeste. O empresário Osvino Ricardi, que já utiliza a nova técnica, relata que as panificadoras terão uma economia de cerca de 7% nos custos com a farinha de trigo. Segundo ele, os padeiros que experimentaram estão aprovando. "Alguns disseram que até o sabor está melhor", afirma.
O presidente da Fundetec, Lindonez Rissoto, observa que todos os resultados foram apresentados durante seminário sobre a mandioca realizado no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, onde tramita um projeto de lei que obriga a adição de 10% de fécula na farinha de trigo comercializada no Brasil.