As lavouras de soja cultivadas na região do Arenito (Noroeste do Paraná) estão rendendo, em média, 3.200 quilos por hectare no primeiro ano de cultivo e podem chegar a 4.000 quilos no segundo ano. O resultado supera em 14% a média paranaense e em 28% a média nacional dos últimos anos, respectivamente 2.800 e 2.500 quilos por hectare. As informações são da
Agência Estadual de Notícias.
As lavouras de soja cultivadas na região do Arenito (Noroeste do Paraná) estão rendendo, em média, 3.200 quilos por hectare no primeiro ano de cultivo e podem chegar a 4.000 quilos no segundo ano. O resultado supera em 14% a média paranaense e em 28% a média nacional dos últimos anos, respectivamente 2.800 e 2.500 quilos por hectare.
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A alta produtividade, numa região até pouco tempo caracterizada por solos pobres, é resultado da adoção da tecnologia proposta dentro do Programa de Desenvolvimento do Noroeste do Paraná (Arenito Nova Fronteira). O programa incentiva práticas de cultivo adequadas às características da região e a integração lavoura/pecuária para recuperar a fertilidade do solo. Com isso, o Arenito Nova Fronteira viabilizou a introdução da agricultura numa região ocupada quase que exclusivamente por pecuária, com baixos índices de produtividade de carne pela situação de degradação das pastagens.
Segundo Antônio Sacoman, engenheiro agrônomo da Cooperativa Cocamar, de Maringá, na safra 2001/2002 estão sendo cultivados 150 mil hectares de soja que começam a ser colhidos em março próximo, com previsão de produtividade igual ou superior às lavouras de terra roxa, as mais férteis do Paraná.
Para o agrônomo, o segredo dos elevados índices de produtividade é a adoção das tecnologias desenvolvidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Para Sacoman, ao mesmo tempo em que as técnicas adequadas corrigem o solo, viabilizando o cultivo de grãos, permitem a recuperação das pastagens e a elevação da produtividade da pecuária.
Atualmente, a produtividade média de carne da região é de 3,7 arrobas por hectare/ano, o que é muito baixo. A expectativa é que em três anos, com as terras recuperadas, sejam produzidas de 40 a 52 arrobas por hectare/ano.
A tecnologia do programa Arenito Nova Fronteira se baseia em práticas de combate à erosão e correção da acidez do solo, rotação de culturas e integração lavoura/pecuária.
Além disso, o pacote tecnológico recomenda a escolha de cultivares adaptadas às condições de solo e clima da região, o cultivo no sistema de plantio direto, a adubação adequada e o plantio de coberturas de inverno, para proteger o solo.
A orientação é para que após a colheita da lavoura de verão o produtor plante aveia que terá duas finalidades. Garantirá alimentação de qualidade para o gado no inverno, evitando a perda de peso que normalmente ocorre nesta época do ano pela deficiência nutricional e, ao mesmo tempo, a palha da aveia serve de proteção para o solo, melhorando sua fertilidade.
"Pelas experimentações que vêm sendo feitas pelo Iapar e pelo resultado das lavouras dos produtores que já estão integrados ao programa é possível afirmar que a região do Arenito tem potencial de produtividade igual ou melhor aos solos argilosos do Paraná, que são as melhores terras para a agricultura", destaca o pesquisador do Iapar e gerente do projeto de recuperação de pastagens da região Noroeste, Elir de Oliveira.
Além da soja, os resultados obtidos com o cultivo do trigo no Arenito também surpreendem. Em ensaios desenvolvidos pela pesquisa, a lavoura rende até 5 mil quilos por hectare, uma produtividade muito alta, comparada aos maiores produtores do mundo, como os países da União Européia. Só para se ter uma idéia, a produtividade média de trigo no Brasil é de 1.700 quilos por hectare.
"A vantagem de se plantar trigo no Arenito é evitar as duas grandes ameaças da lavoura: geada no desenvolvimento da planta e chuva na colheita", explica o pesquisador do Iapar. Segundo ele, no Noroeste a geada é muito rara e praticamente não chove no período de colheita, o que assegura condições adequadas ao desenvolvimento da planta e a qualidade final do produto.
Por estas características, os coordenadores do programa querem transformar o Noroeste num grande produtor de trigo e também de semente de trigo. Para isso, no entanto, os produtores pedem a atualização do zoneamento agrícola do Ministério da Agricultura que hoje restringe o cultivo do trigo na região.
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