Produtores de soja da região de Maringá que usaram sementes da cultivar Embrapa-48 estão sendo surpreendidos com o mau desempenho de suas lavouras. As plantas apresentaram germinação e maturação desuniforme e agora os produtores estão recorrendo a produtos dessecantes para antecipar a maturação, para não perderem o período ideal de colheita. As sementes teriam sido compradas no Rio Grande do Sul, mas não há comprovação.
O gerente de negócios da Embrapa-Soja/Londrina, Luiz Carlos Miranda, afirma que as variedades com defeito foram misturadas na fábrica (mistura varietal), entre sementes de ciclo precoce e de ciclo normal. Segundo Miranda, a mistura na variedade plantada em Maringá chega a 40%.
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Vários técnicos da Emater da região estão sendo chamados às propriedades para fazerem o laudo de perdas e dos prejuízos. O engenheiro agrônomo Paulo Roberto Milagres, da Emater-Maringá, constatou o problema na região. Segundo ele, em várias lavouras de soja uma parte das plantas desenvolveram-se mais que as outras e a maturação não foi uniforme. Ou seja, agora no período de colheita enquanto umas plantas apresentam o grão no ponto de ser colhido, outros ainda estão verdes. O agravante da situação é que essa falta de homogeneidade inviabiliza a colheita mecânica, disse o técnico.
Segundo Milagres, a cultivar da Embrapa-48 fecha o ciclo de desenvolvimento com 120 a 130 dias, enquanto essa variedade usada vai fechar em 140 dias, atrasando o início do plantio do milho safrinha ou do trigo. Para evitar o atraso, os produtores estão aumentando o custo com a compra de dessecantes para acelerar a maturação do grão. Por enquanto, os produtores estão fazendo laudos da ocorrência mas certamente o seguro não cobre esse procedimento, adiantou o técnico.
Para o gerente da Embrapa, esse tipo de problema ocorre quando a indústria que produz a semente, mistura a cultivar adquirida com outras cultivares não adaptadas para o Paraná. "æ produtor deveria ser mais consciente e comprar a semente com procedência garantida", lamentou Miranda. Ele enviou um técnico da Embrapa para Maringá para investigar o que está acontecendo.
Segundo Miranda, se o produtor do Paraná utilizasse somente a variedade Embrapa-48, sem misturas, estaria obtendo produtividades de até 180 sacas por alqueire, " o que é excelente", avaliou. Muitas vezes o produtor opta em comprar um produto mais barato, "mas a falta de qualidade não compensa", alertou.