Os pequenos agricultores estão ameaçando fazer uma grande mobilização em Curitiba contra o Banco do Brasil. Eles estão revoltados com o banco que não quer conceder empréstimos, mesmo com o governo do Estado regularizando o Fundo de Aval.
O Banco do Brasil condiciona a concessão de empréstimos ao chamado Aval Solidário, ou seja, financimentos em grupos de cinco agricultores ou mais, nos quais todos seriam responsáveis pela dívida dos outros.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Paraná (Fetaep), que está negociando em nome dos agricultores familiares, não aceita esta condição. Para pressionar o banco, a entidade está mobilizando a categoria e realizando esta semana ocupações de agências do banco em cidades do interior do estado. As manifestações começaram nesta segunda-feira com uma ocupação de agência na cidade de Borrazópolis (norte do Estado).
"Se o banco não voltar atrás, vamos fazer uma manifestação bem mais forte em Curitiba na próxima semana", adverte o presidente da Fetaep, Antônio Zarantonello. Os agricultores não se conformam com a posição do Banco do Brasil, uma vez que a instituição já tem a garantia do Fundo de Aval, pelo qual o governo estadual destinará R$ 2 milhões como garantia pelas dívidas dos micro-agricultores. No Paraná, existem aproximadamente 320 mil pequenas propriedades (com menos de 50 hectares). Destas, cerca de 200 mil são consideradas micro, não têm garantias e dependem do aval.
Conseguir este aval do governo já foi uma tarefa árdua para os pequenos agricultores. Criado em setembro do ano passado, o Fundo de Aval só foi regulamentado na última quarta-feira, depois de uma manifestação da categoria, que culminou com uma negociação com os secretários estaduais da Agricultura e da Fazenda.
Com o Fundo de Aval regulamentado, a estimativa é de que os agricultores familares tenham acesso a recursos que podem chegar a R$ 80 milhões. É que o Fundo prevê empréstimo máximo de R$ 4 mil para cada produtor, com prazo de até oito anos para pagamento e três anos de carência. De acordo com Zarantonello, o índice de inadimplência destes agricultores não chega a 0,5%.
Leia mais sobre o assunto na Folha do Paraná/Folha de Londrina desta terça-feira