O desafio de vencer a força da chuva, que provocava a erosão profunda nas terras agricultáveis dos Campos Gerais, levou alguns produtores da região a iniciar tentativas de implantar a técnica do plantio direto na palha (PD). Isso foi em 1976. Ontem, 25 anos depois das primeiras tentativas, os pioneiros paranaenses do plantio direto se reuniram para comemorar o sucesso alcançado e que foi difundido a ponto de estar presente em 15 milhões de ha no Brasil. Houve cerimônia com a presença de produtores, técnicos e lideranças. Os produtores Manoel Pereira, Dijkstra; o presidente do Iapar, Florindo Dalberto, e os técnicos Hans Peeten e Américo Meinkche inauguram placa comemorativa.
Um dos pioneiros na região, Manoel Henrique Pereira, conta que já na primeira safra no PD a redução da erosão foi violenta. ‘Minhas terras têm de 60% a 70% de areia em sua composição. Com as chuvas perdíamos 20 t de terra e colhíamos duas t de grãos. Era um balanço suicida’, afirma.
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O PD não só trouxe o benefício de preservação do solo, como também redução dos custos de produção e aumento de produtividade, tornando viável a agricultura nos Campos Gerais. Plantar grãos nesse sistema é 30% mais barato do que no sistema convencional. ‘Temos redução do uso de insumos, aumentamos a vida útil do maquinário em mais de 10 anos, e com o aumento da fertilidade do solo a produtividade é muito maior. Em algumas culturas chega ao dobro da obtida no sistema convencional’, diz o agricultor (Veja quadro).
‘Mais do que os benefícios econômicos, o PD hoje é a solução para os grandes problemas: o solo, a água e o ar, defende o pioneiro paranaense da técnica, Herbert Bartz, proprietário em Cambé, no Norte do Estado. Ele salienta, entre outras vantagens, que pesquisas estão demonstrando que a palha ajuda a retirar o gás carbônico da atmosfera, melhorando a qualidade de vida.
A técnica que se desenvolveu na região dos Campos Gerais do Paraná, serve de modelo para o mundo hoje. Pereira é presidente da Confederação das Associações Americanas para uma Agricultura Sustentável (Caapas). Em todo o mundo existem 64 milhões de ha plantados nesse sistema. A liderança em área de plantio direto no mundo é dos Estados Unidos, com 22 milhões de ha. Mas percentualmente o Brasil está muito a frente porque enquanto os EUA têm 26% de suas áreas cultivadas no PD, o Brasil têm 65% (15 milhões).
O desafio do PD agora é avançar nas áreas de pastagem. Os estudos nessa área começaram há quatro anos. Em Ponta Grossa, dez áreas estão servido de base de pesquisa. Segundo o gerente de operações de mercado da Monsanto, André Franco, o caminho que está sendo seguido pela pesquisa é o da integração e renovação das pastagens. Na integração, o solo passa a ser usado para agricultura por dois ou três anos, para depois retornar a abrigar pasto.
No Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul os produtores estão conseguindo colocar seis cabeças de gado por ha, onde antes havia somente um, segundo Franco.
COMPARE
- Produtividades médias nas lavouras de soja, milho e trigo nos sistema de plantio direto e convencional, no Estado do Paraná:
Plantio Direto - - Sistema Convencional
soja - - 3,4 ton/ha - - - 2 ton/ha - - -
milho - - 4 ton/ha - - - 8 ton/ha
trigo - - 1,5 ton/ha - - - 3 ton/ha
Presença do Plantio Direto nas Lavouras do Paraná
cultura - - - porcentagem
trigo - - - - 96%
soja - - - - 94%
milho - - - - 75%
Evolução do Plantio Direto no Brasil
Safra - - hectares
90/91 - - 1 milhão
92/93 - - 2 milhões
94/95 - - 3 milhões
00/01 - - 15 milhões