As lavouras de cebola da comunidade Rio do Poço, no município de Quitandinha, Região Metropolitana de Curitiba, renderam o dobro nesta safra, em relação ao que foi colhido no ano passado. De 15 toneladas por hectare da safra passada, os agricultores conseguiram passar para 30 toneladas por hectare nesta produção - o número é ainda três vezes maior que a média estadual. Outro fator positivo é a qualidade do produto, obtida devido ao uso correto da tecnologia.
A cebola produzida pelo grupo é mais consistente, tem um boa capa externa e tamanho médio, o preferido pelos compradores. O resultado foi conseguido em boa parte graças ao trabalho dos técnicos da Emater local. Desde a safra 1999/2000, eles realizam encontros, cursos, dias de campo e reuniões com os produtores ensinando como empregar a tecnologia adequada. Adubação, controle de doenças e técnicas de espaçamento estão entre os focos do trabalho, com destaque para a irrigação.
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Segundo o agrônomo da Emater local João Ivo Sampaio, em 2001 houve dois períodos de seca na região, em épocas críticas da produção, mas os produtores conseguiram superar o problema, porque tinham acabado de comprar o equipamento para irrigação.
No Paraná, 5 mil agricultores cultivam cebola. O Estado é o quarto produtor nacional. Na safra 2000/2001, foram colhidas mais de 57 mil toneladas do produto. Para esta safra, a estimativa é de uma produção de 69 mil toneladas.
Na região de Quitandinha, a cebola rendeu neste ano quatro vezes mais que o feijão. Enquanto a cebola garantiu um retorno de quase R$ 10 mil por hectare, o feijão não passou de R$ 2,5 mil (saca a R$ 50). O investimento em irrigação nas lavouras de cebola é maior, mas quanto ao emprego de mão-de-obra, as duas atividades empatam.
O produtor Pedro Trajanoski faz parte do grupo e diz que cansou de perder cebola. Com a ajuda da assistência técnica, dobrou a produtividade. Pedro ressalta a importância de seguir as recomendações e participar de reuniões. "Muitas coisas apresentadas nesses encontros eram novidade para nós", completa.
O agricultor Hélio Ruvinski, também comemora os resultados de suas lavouras. Hélio colheu o dobro do que estava acostumado e conseguiu trocar de trator com o dinheiro da cebola. "Agora obedeço o espaçamento na lavoura, faço adubação mais bem feita, pulverizo nos dias certos e presto atenção na irrigação, que foi uma boa", afirma. Ele participou de todas as reuniões.
Para os pequenos produtores, a cultura da cebola representa uma forma de se manter no campo, "pois usa mão-de-obra familiar", diz o técnico agrícola da Emater de Quitandinha, Renato Krieck. "O uso da tecnologia está dando um bom resultado e isso proporciona melhor qualidade de vida no meio rural, que é o principal objetivo do trabalho da extensão rural", conclui.
Técnicas como as aplicadas pelos produtores de Quitandinha estarão no 12º Encontro Estadual dos Produtores de Cebola, que acontecerá no dia 13 de março, no Parque Cachoeira, em Araucária. Cerca de 500 agricultores devem participar. O evento é uma promoção do Governo do Estado e Prefeitura de Araucária.
O pesquisador do Epagri (Instituto de Pesquisa e Extensão Rural de Santa Catarina) vai falar sobre mecanização. Um dos focos é justamente a utilização das máquinas no cultivo do produto. Também haverá uma palestra sobre mercado com Vilson Fagundes, que trabalha com importação e exportação de cebolas.
Já o consultor Alcion Marques Vas vai abordar o tema "Preparo da cebola para comercialização". A coordenadora técnica do Hortiqualidade Paraná, da Faep, Priscilla Rocha, vai trazer detalhes do projeto.