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Produtores fazem concurso para reduzir perdas na colheita de soja

Redação - Bonde
27 fev 2002 às 17:44

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Os produtores de Maringá iniciaram uma maratona para evitar as perdas durante a colheita de soja. A campanha deste ano foi lançada no último dia 19 e vai até o dia 24 de maio. O objetivo é fazer com que todos os operadores de colheitadeiras do município passem pelos cursos e treinamentos promovidos na região. A diminuição das perdas aumenta a renda do agricultor.
Já os operadores têm dois bons motivos para lutar pelo menor índice de perda. O primeiro colocado vai ganhar um carro zero e o segundo, uma motocicleta. A avaliação dos concorrentes será feita por técnicos da Emater-Paraná. Esta é a sétima campanha feita em Maringá para reduzir as perdas durante a colheita de soja.

"É um incentivo a mais aos agricultores. Com o incentivo dos prêmios, os operadores capricham mais na colheita. Eles também se sentem valorizados", diz o produtor Sebastião Vizioli, que participa desde a primeira campanha. Ele afirma que o nível de perdas nesses anos caiu bastante. "Na minha área de 300 alqueires, por exemplo, a perda está abaixo de um saco por hectare. O resultado vai depender da situação da lavoura, do capricho do operador e da regulagem da máquina", ensina o produtor.

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Sebastião afirma que um aspecto importante da campanha é mostrar que nem sempre o agricultor precisa ter um equipamento moderno para diminuir suas perdas. "No ano passado, o primeiro lugar ficou com o operador de uma colheitadeira antiga. Isso mostra que não é preciso um investimento alto do agricultor se a máquina estiver bem revisada", observa.


O agricultor Marcos Bruschi faz parte da comissão organizadora da campanha de perdas deste ano e destaca a importância do trabalho na região de Maringá. "Tudo aquilo que a gente perde é prejuízo. Então o desperdício tem que ser combatido e a campanha incentiva os operadores a fazerem a colheita de soja da maneira correta", afirma.


No ano passado, 88 operadores de colheitadeiras participaram da campanha. Em 2002, a intenção é reunir 110 participantes. Segundo Luís Caetano Vicentini, da Emater de Maringá, o índice médio de perdas na região é de 42 quilos ou 0,7 saca de soja por hectare. Esse número vem caindo ao longo dos anos. A média no primeiro concurso foi de 0,85 saca por hectare. Mesmo assim, ficou abaixo da média estadual - 1,2 saca por hectare.


Luís Vicentini diz que os produtores estão cada vez mais interessados em reduzir as perdas. O agrônomo explica que, a partir dos treinamentos, operadores e produtores passam a entender que as perdas podem ser diminuídas com cuidados simples. "A perda maior acontece porque muitas vezes o operador da máquina faz a colheita numa velocidade acima do recomendado. É preciso colher a soja com a colheitadeira andando a uma velocidade entre 4 e 6 km por hora. Tem operador que anda a 11 km/ hora".
Além disso, Vicentini lembra que o ajuste das máquinas também é importante para o resultado final. Neste ano, o lema da campanha da redução das perdas será "Maringá é contra o desperdício". O Gol Zero que será oferecido ao primeiro colocado do concurso foi conseguido junto ao Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo) e a motocicleta foi um oferecimento da Cocamar (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá).


O agrônomo Antoninho Maurina, coordenador do programa de prevenção de perdas na colheita da soja, informa que este trabalho é feito nas principais regiões produtoras do Paraná, numa parceria entre a Embrapa-Soja e Emater. Apesar das campanhas, muitos agricultores ainda perdem acima do aceitável. Segundo a Emater, na safra 2000/2001 a perda média chegou a 1,10 saca/hectare.


Para os produtores que usam a tecnologia desenvolvida pela Embrapa-Soja e difundida pela Extensão Rural, a perda é de 0,95 sacas por hectare. A média nacional é de 2 sacas/hectare. Segundo o estudo, a plataforma de corte é responsável pelo maior percentual de perdas - ao redor de 80%. Além disso, a correção da velocidade excessiva da colheitadeira e da rotação do molinete podem reduzir as perdas em mais de 50%.

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Os técnicos acreditam que nesta safra, o Paraná deva perder em torno de R$ 70 milhões em virtude da colheita inadequada das lavouras. A experiência mostra que é possível aumentar a eficácia das máquinas com treinamento dos operadores. Nos últimos 24 anos, desde que a Embrapa-Soja e a Emater Paraná vêm trabalhando para conter o desperdício durante a colheita, os produtores brasileiros de soja conseguiram reduzir as perdas de quatro para duas sacas por hectare.


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