O Palácio Iguaçu viveu nesta quarta-feira um dia nervoso, após o adiamento do leilão da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Duas empresas comunicaram que desistiram de participar do leilão. A Tractebel e a Vale do Rio Doce afirmaram que o preço mínimo de R$ 5,068 bilhões e a falta de tempo para se organizarem em consórcio contribuiu para o recuo. Mesmo com as baixas, o governo garante que fará o leilão ainda este ano.
A nova data poderá ser anunciada ainda esta quinta-feira, mas deverá ficar entre os dias 7 e 12 deste mês. Por enquanto, está confirmado apenas a próxima terça-feira como prazo final para o depósito das garantias. A nova data teve de ser fixada, porque anteontem nenhuma das interessadas fez depósito de R$ 400 milhões para poder participar do leilão. Sem interessadas, o governo foi obrigado cancelar temporariamente a venda.
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O governo continua a sustentar que não há razões para suspender a privatização da Copel e disse que não procede a informação de que o governo tem apenas até 31 de janeiro para a privatização. "O leilão vai sair de qualquer maneira, mesmo que só tenha um comprador. Só não sai se não houver interessados", declarou o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho.
Ele preferiu não comentar a desistência da Tractebel e da Vale do Rio Doce, alegando que não houve comunicado oficial. Elas não precisam informar oficialmente o governo.
A Tractebel anunciou na Bélgica, onde tem sua sede, que está fora do leilão. "O valor dos ativos de distribuição da Copel não nos permitiu atingir o preço mínimo estabelecido pelos vendedores. Por isso a Tractebel tomou a decisão de não participar do leilão", afirmou a diretoria da empresa, em um comunicado que foi noticiado pela agência Reuters.
A Tractebel tinha interesse em ficar com o setor de distribuição de energia da Copel, pois ela já é dona da Gerasul (empresa que controla a maioria das hidrelétricas no Sul).
O presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, declarou que está fora. Em entrevista coletiva, ele repetiu diversas vezes que o preço alto da Copel e a falta de tempo inviabilizaram a participação da Vale. "O tempo e o preço atrapalharam a formação do consórcio", disse Agnelli. A Vale iria para o leilão junto com a Votorantim. Elas formaram o consórcio Maromba. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Votorantim informou que ainda estuda a possibilidade de comprar a Copel. Mas ela impõe como condição um prazo mais longo para o novo leilão.
A GP Participações não se manifestou sobre a permanência no leilão. Mas informações do mercado davam conta nesta quarta que a companhia não teria o capital suficiente para comprar a Copel. "Ela não depositou a garantia porque não conseguiu dinheiro para a compra", disse um analista de mercado.