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Chance de 2º turno faz candidatos adaptarem estratégia

Agência Estado
29 set 2010 às 08:39

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A divulgação, ontem, de mais uma pesquisa Datafolha deu novo ânimo à corrida presidencial. A quatro dias das eleições e a dois do final da campanha em rádio e TV, os números indicam que a vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre seus rivais foi reduzida de sete para dois pontos, abrindo-se a possibilidade de a disputa ser levada ao segundo turno. Segundo a pesquisa, Dilma caiu de 49% para 46%, José Serra (PSDB) manteve seus 28% e Marina Silva (PV) oscilou de 13% para 14%. A petista teria, agora, entre 49% e 53% dos votos válidos.

O impacto desses números era visível, ao longo do dia, na rotina dos candidatos. A queda da petista acendeu um sinal amarelo em seu comitê de campanha, onde se discutiu a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fazer, nos dias finais, algum apelo ao eleitorado. É inegável a preocupação, no Planalto, com a divulgação de boatos que a prejudiquem ou com o risco de novas denúncias contra o governo.

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Serra, que passou o dia em Salvador, manteve a estratégia, adotada há vários dias, de evitar polêmicas, não "inventar moda", torcer para que Dilma continue em queda e evitar críticas a Marina, de olho no eleitorado do PV no segundo turno. E a candidata dos verdes, que está em alta, faz o caminho inverso: reduz os elogios aos governos Lula e FHC e tenta subir aumentando o tom de suas críticas aos dois rivais.


No PSDB, ordem é 'não inventar moda' e tentar 2º turno


Não correr riscos de nenhuma natureza, "não inventar moda" e apenas "surfar" na onda que pode levar ao segundo turno o candidato tucano à Presidência, José Serra, aproveitando a tendência de queda nas pesquisas da candidata Dilma Rousseff (PT), e a subida consistente de Marina Silva (PV). "O Serra agora tem que pegar um veleiro e ir velejar", resume, bem-humorado, um dos principais dirigentes da oposição.


Os estrategistas da campanha tucana dizem que Serra "não tem nenhuma carta na manga" para virar votos de indecisos à última hora. A ordem é ser cauteloso e não atrair nenhum fato polêmico ou negativo.


Líderes tucanos e aliados advertem, no entanto, que, no eventual segundo turno, a campanha vai precisar virar de ponta cabeça. Eles querem discutir o conteúdo dos discursos e das promessas por acreditar que Serra está parado nas pesquisas (em torno de 30% das intenções de voto) e que, se conseguir chegar ao segundo turno, será "por obra e graça de fatores externos". Na avaliação geral dos líderes políticos, a campanha não teve "nem foco nem identidade".


Dilma se reunirá com religiosos para combater boatos


O comitê de Dilma Rousseff (PT) está preocupado não apenas com o impacto do escândalo envolvendo a Casa Civil nos índices de intenção de voto da petista como com a disseminação de boatos, nas igrejas e nos templos, dando conta de que a candidata é a favor do aborto. Pouco antes de gravar, ontem, o último programa de TV de Dilma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez reunião com a cúpula da campanha para dar o tom da reação.


A queda de Dilma na pesquisa do Datafolha acendeu o sinal amarelo no comitê. Embora as sondagens internas da campanha sejam bem mais otimistas e mostrem que a candidata do PT tem grande chance de ganhar no primeiro turno, dirigentes do partido sabem que ela sofreu um revés.

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Dilma vai se reunir com religiosos, em seu escritório no Lago Sul, em Brasília. Segundo Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, padres e pastores pediram a conversa, sob o argumento de que boatos contra a petista têm sido disseminados por fiéis e ninguém sabe de onde vêm. Além da questão do aborto, circulam nas igrejas e nos templos rumores de que a candidata teria afirmado que "nem Jesus Cristo" tira dela a vitória. Dilma, porém, nunca disse esta frase. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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