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Falso site do TSE usa dados reais de eleitores para aplicar golpe via Pix

07 out 2026 às 07:44

Às vésperas do primeiro turno das Eleições de 2026, na semana passada, criminosos virtuais intensificaram estratégias para enganar os cidadãos com uma página fraudulenta que simula o portal do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) — e, com o segundo turno logo ali, vale a pena destacar a iniciativa dos bandidos.


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Identificada pela empresa de segurança cibernética ESET Brasil, a plataforma maliciosa cobra uma suposta taxa de R$ 47,90 para a regularização do título de eleitor. A fraude baseia-se no temor de pendências com a Justiça Eleitoral para extrair dinheiro das vítimas de forma rápida e direta.


Para conferir aparência de legitimidade ao golpe, a página falsa utiliza informações verdadeiras dos cidadãos. Ao digitar o CPF no sistema fraudulento, a vítima é surpreendida com a exibição correta de seu nome completo, dados parcialmente ocultos de zona e seção eleitoral, além do nome da mãe. Embora a origem desse vazamento de dados seja desconhecida e não haja indícios de invasão aos sistemas oficiais do TSE, a precisão destas informações é o principal fator que convence o eleitor a prosseguir com o processo.


A suposta dívida é apresentada de forma detalhada para simular uma cobrança oficial, dividida em três categorias fictícias: R$ 26 por ausência eleitoral, R$ 14,90 em encargos administrativos e R$ 7 como taxa de regulação cadastral. Após apresentar o extrato falso, o site gera um QR Code e um código da modalidade Pix Copia e Cola, induzindo o cidadão a quitar o débito imediatamente na mesma tela de navegação.


O sucesso da fraude depende da engenharia social atrelada a um forte senso de urgência. O site emite alertas mentirosos informando que a falta de pagamento resultará na suspensão imediata do direito ao voto, perda de benefícios sociais do governo e bloqueio de serviços públicos. Essa pressão psicológica é calculada para que a vítima realize a transferência sem dedicar tempo para verificar a veracidade da página ou os dados do recebedor, estratégia típica de ataques de phishing.


Sinais de alerta e como buscar reparação financeira


Apesar da roupagem sofisticada, a página criminosa apresenta falhas evidentes que permitem a identificação do golpe. O principal sinal de alerta está no endereço de acesso, que utiliza o domínio terminado em ".online", formato não adotado por órgãos governamentais brasileiros. A Justiça Eleitoral concentra todos os seus serviços exclusivamente no domínio oficial "tse.jus.br". Além disso, análises demonstram que qualquer CPF inserido no site falso resulta na mesma cobrança de R$ 47,90, evidenciando a automatização do estelionato.


O momento da transferência bancária revela a prova definitiva da fraude. Ao escanear o QR Code no aplicativo do banco, o recebedor do Pix aparece como uma empresa privada sediada em Curitiba, atuando possivelmente como intermediária de pagamentos. Em transações legítimas de multas eleitorais emitidas pelo portal autêntico do TSE, o destinatário dos recursos é obrigatoriamente identificado como o Tesouro Nacional.


A prevenção contra esses ataques exige ceticismo diante de mensagens recebidas por e-mail, SMS ou aplicativos de comunicação, especialmente aquelas que impõem prazos curtos ou consequências drásticas. A principal barreira de defesa do eleitor é a checagem dupla: conferir atentamente a URL no navegador de internet e, principalmente, confirmar se a instituição recebedora na tela do aplicativo bancário corresponde ao órgão público responsável antes de digitar a senha.


Eleitores que já efetuaram o pagamento aos golpistas devem agir rapidamente para tentar reaver os valores transferidos. A orientação oficial é entrar em contato imediato com a central de atendimento do próprio banco, relatar o crime e solicitar a ativação do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central, criado especificamente para casos de fraudes via Pix. Simultaneamente, é imprescindível registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil para respaldar a denúncia junto à instituição financeira e auxiliar nas investigações da quadrilha.

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