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Inovação e sustentabilidade no campo: Dioxd

Lucas V. de Araujo* - Colunista da FOLHA
30 ago 2021 às 10:13
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Quando fiz minha pesquisa de doutorado, um dos principais critérios que usei para seleção das startups mais avançadas era ter recebido aporte de fundos de investimento. Seja na literatura acadêmica ou no dia a dia dos negócios, essa é uma das principais maneiras de saber se determinada empresa tem futuro.

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Mais que possibilidade de ganho financeiro, são avaliados muitos outros fatores ao se investir em uma empresa nascente, tais como a escalabilidade. Outro critério que vem ganhando força no mercado é a sustentabilidade, traduzida mais recentemente pela sigla ESG (Environmental, Social and Governance). Em bom português, ambiental, social e governança.


Muitas empresas já perceberam que não só é possível como é altamente lucrativo adotar práticas de respeito ao meio ambiente, às pessoas e ser transparente na condução dos negócios. As listadas em bolsa percebem isso na alta das ações, as outras corporações nos bons negócios que realizam. Seja porque seus funcionários, felizes pelo lugar onde trabalham, produzem mais, seja porque estão sendo criadas práticas comerciais exclusivas nesse seguimento.

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Conheci recentemente uma startup de coração londrinense que conseguiu aliar tudo isso. É a mesma que recebeu R$ 1,3 milhão de dois fundos de investimento brasileiros. Trata-se da Dioxd. O nome provém de dióxido de carbono, composto químico vilão do aquecimento global, proveniente de fatores como a queima de combustíveis fósseis. A startup tem no seu core business potencializar aquilo que a planta faz naturalmente ao absorver o gás para realizar a fotossíntese. A Dioxid não se utiliza de tratamento genético e realiza todo o processo de forma natural, por meio da aplicação do gás em sementes, o que garante aumento de produtividade de até 12%.


Se você achou tudo isso interessante, mas nada de especial, é porque não conhece a trajetória do empreendedor por trás de tudo isso. Ele está há oito anos trabalhando no desenvolvimento da tecnologia e da empresa. Ah, você pensa, ele então começou na universidade e agora, com uns 30 anos, engrenou. Não.... João Américo Macori Barbosa se interessou pelo assunto aos 13 anos! Com a ajuda de professores e dos pais, João começou a pesquisar poluição atmosférica e a participar de feiras de ciências. Foram 17 delas ao longo dos anos, inclusive fora do Brasil. Ganhou prêmios e bolsas de estudos, como no Colégio Londrinense e na Unifil, na qual entrou para o curso de Agronomia.


Com apenas 18 anos criou a Dioxd e entrou no programa de aceleração Go SRP, da Sociedade Rural do Paraná. Há um ano e meio mora em Luis Eduardo Magalhães, Bahia, depois que foi aprovado em outro programa de aceleração, no qual pode aperfeiçoar a tecnologia que chamou atenção de investidores. Como todo empreendedor de sucesso, João fala com euforia dos planos para o futuro: levar a Dioxid para sete estados brasileiros e aumentar a área plantada com a tecnologia londrinense de 3,6 mil hectares para 100 mil hectares. Para isso, vai gerar novos empregos e aperfeiçoar processos.


Fôlego ele tem de sobra. Falta é tempo para terminar a graduação. Sucesso, João! ;)


*Lucas V. de Araujo: PhD e pós-doutorando em Comunicação e Inovação (USP). Professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), parecerista internacional e mentor Founder Institute. Autor de “Inovação em Comunicação no Brasil”, pioneiro na área.

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