Um programa de treinamento de força com mulheres idosas na UEL (Universidade Estadual de Londrina) ganhou destaque internacional após ter seus resultados publicados na revista MSSE (Medicine & Science in Sports & Exercise), uma das publicações científicas mais prestigiadas do mundo na área de medicina esportiva e ciência do exercício.
O estudo demonstrou que a prática regular de exercícios resistidos melhora a estrutura e o funcionamento do coração, além de preservar a autonomia e a capacidade funcional durante o envelhecimento.
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A pesquisa acompanhou, durante dois anos, 74 mulheres idosas fisicamente independentes, divididas entre um grupo que participou de um programa supervisionado de treinamento de força e outro que manteve a rotina habitual. As participantes realizaram três sessões semanais de exercícios resistidos, com avaliações cardíacas feitas antes e depois da intervenção. Os resultados apontaram melhora nos parâmetros morfológicos e funcionais do coração entre as mulheres que treinaram, enquanto o grupo sem exercícios apresentou piora progressiva em diversos indicadores.
Desenvolvido pelos pesquisadores Ricardo José Rodrigues e Paolo Cunha como parte do Programa de Envelhecimento Ativo da UEL, o estudo também identificou ganhos expressivos na força muscular e na capacidade para realizar atividades do cotidiano. Segundo Rodrigues, a melhora da função de relaxamento do coração é especialmente relevante por contribuir para a prevenção da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, condição comum entre mulheres idosas e que ainda possui poucas opções de tratamento.
Para os pesquisadores, os resultados ampliam a compreensão sobre os benefícios do treinamento de força, tradicionalmente associado apenas ao aumento da massa muscular e à prevenção de quedas. A publicação na MSSE reforça o potencial da estratégia como uma ferramenta acessível, de baixo custo e capaz de contribuir para a saúde cardiovascular da população idosa.