A fotógrafa londrinense Ana Paula Cardoso, de 29 anos, segue desaparecida na região do Salto das Orquídeas, em Sapopema (Norte), enquanto as buscas entram no quarto dia. Nesta terça-feira (28), a amiga que estava com ela no momento do acidente, Ana Carolyne da Silva Camilo, deu detalhes sobre o caso e afirmou que o local não oferecia qualquer tipo de acompanhamento para os visitantes.
Internada no Hospital Evangélico de Londrina, Ana Carolyne permanece com quadro estável, em uso de medicação para dor e sendo acompanhada por uma equipe multidisciplinar. Ela sofreu uma fratura em uma vértebra da região lombar, iniciou o uso de um colete Jewett para imobilização da coluna e ainda aguarda a definição sobre a necessidade de cirurgia. Além das lesões físicas, recebe atendimento psicológico devido ao trauma emocional provocado pelo acidente.
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Na manhã desta terça, ela prestou depoimento ao delegado responsável pela investigação, em Curiúva. Horas depois, a família informou ter sido comunicada sobre o registro de um boletim de ocorrência contra Ana Carolyne, contendo, segundo os familiares, acusações "graves e falsas". A reportagem tenta apurar informações sobre o BO.
FALTA DE ORIENTAÇÕES
Em um vídeo enviado à imprensa, a sobrevivente relatou que, em todas as vezes em que visitou o Salto das Orquídeas, nunca recebeu orientação sobre a obrigatoriedade de fazer as trilhas acompanhada.
"Eu estou aqui ainda debilitada gravando esta mensagem para dizer que em nenhum momento eu tive algum tipo de suporte ou as pessoas que frequentam o Salto das Orquídeas têm algum tipo de suporte para fazer as trilhas. Todas as vezes que eu fui até lá, o acesso foi livre."
Ela afirma que antes da viagem entrou em contato com os responsáveis pelo local para confirmar o funcionamento do espaço e recebeu a informação de que tudo estava aberto.
"Eles disseram que tudo estava funcionando e que o acesso era livre. No valor pago ao camping, já estava incluso seguro e eles iam dar uma pulseira para a gente, garantindo que teríamos acesso livre a todas as quedas."
Segundo Ana Carolyne, embora ela e a amiga tenham preenchido documentos no momento da entrada, em nenhum momento foram orientadas sobre a necessidade de contratar guia ou comunicar a descida até as cachoeiras.
COMO TUDO ACONTECEU
O acidente ocorreu na tarde de sábado (25), quando as duas atravessavam um trecho do rio utilizando cordas para iniciar a trilha. De acordo com Ana Carolyne, a correnteza estava na altura do quadril quando Ana Paula escorregou.
"Olhei para trás e vi que a Ana tinha escorregado e retornei para ajudá-la. Nesse momento, eu também escorreguei e passei para o outro lado da corda, onde ficou mais difícil me segurar."
Ela contou que pediu para a amiga não soltar a corda, mas não conseguiu permanecer sustentada. A jovem relatou que foi arrastada pela água até conseguir parar sobre uma pedra, onde passou toda a noite com dores na lombar.
"Fiquei parada por algum tempo esperando para ver se a Ana também cairia, mas não vi nada. Quando o dia começou a amanhecer, pensei que alguém chegaria para me socorrer, mas ninguém apareceu."
Sem ajuda, ela decidiu tentar sair sozinha do local. "Quando vi que ninguém apareceu, percebi que teria que tirar forças para voltar sozinha. Só conseguia pensar na minha família. Comecei a chamar em voz alta pela Ana. Estava muito preocupada com ela."
Ana Carolyne afirma que se lançou novamente na correnteza para conseguir alcançar um ponto de saída e utilizou pedras para escalar de volta até a área do acidente.
"Consegui chegar à pedra onde o acidente aconteceu. Lá, vi um rapaz, e pedi socorro. Perguntei da minha amiga e ele disse que ela não estava ali. Comecei a chorar bastante."
CRÍTICAS AO CAMPING
Em seu relato, Ana Carolyne disse ter ficado surpresa ao saber que outras pessoas já haviam enfrentado situações semelhantes no Salto das Orquídeas.
"O dono da pousada me perguntou por que não avisei que ia descer. Eles sempre foram muito atenciosos, mas soube ontem que isso aconteceu com mais pessoas. Isso me deixou ainda mais revoltada. Como alguém já passou por isso e nunca houve uma alteração? Eu jamais colocaria a minha vida e a da minha amiga em risco."