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"Indústria da multa é aquela situação que o agente multa alguém se que ele tenha cometido qualquer infração. Isso é crime", diz Sérgio Dalben - Arquivo Folha de Londrina
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Em um ano

CMTU recolhe R$ 5 milhões em multas de trânsito

Loriane Comeli - Redação Bonde
31 dez 1969 às 21:33
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Em 2008, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) recolheu R$ 5.156.965,26 em multas aplicadas em Londrina. O valor se refere às 72.978 infrações notificadas no ano passado, perfazendo um valor médio de R$ 70,66 por multa.

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No entanto, o valor arrecadado é insuficiente para pagar todas as despesas da diretoria de Trânsito da companhia. Segundo o capitão Sérgio Dalben, responsável pelo setor, ainda faltou R$ 1,77 milhões para fechar a contabilidade, dinheiro que veio quase integralmente do município.

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Do valor recolhido com multas pagas, a maior parte – R$ 4,4 milhões – foi aplicada em fiscalização de trânsito, que inclui os salários dos agentes (salário, horas-extras e adicional noturno). Em segundo lugar, está o pagamento do serviço de vídeo-vigia – são 20 equipamentos cujo aluguel custou em 2008 pouco mais de R$ 1,3 milhão.


Depois vem a manutenção do sistema viária, ao custo de R$ 613 mil. Nesta rubrica estão incluídos gastos de locomoção de agentes e funcionários, despesas com tintas e lâmpadas, e conserto de semáforos, além da restituição aos contribuintes de 20% do valor da multa, caso ela seja quitada no prazo legal.


Em quarto lugar, estão os gastos com equipamentos e sinalização do sistema viário, que, em 2008, custou R$ 285 mil. Além disso, há outras despesas somando pouco mais de R$ 200 mil, que incluem, por exemplo, postagem das notificações aos motoristas autuados.

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Indústria da morte


Apesar do valor recolhido ser elevado, o diretor de Trânsito refutou a existência da chamada indústria da multa, que para ele não passa de uma alegação mal formulada de quem dirige praticando infrações. "Indústria da multa é crime, mas é aquela situação que o agente ou o policial militar multa alguém se que ele tenha cometido qualquer infração", definiu. "Se isto ocorrer, a pessoa não precisa nem vir para a CMTU: deve ir direto ao Ministério Público denunciar o mau agente ou o mau policial", aconselhou.


O capitão lembrou que nos últimos dois anos 144 pessoas morreram em acidentes da região urbana de Londrina, sempre em situações em que um dos motoristas estava dirigindo de maneira imprudente, desrespeitando a sinalização de trânsito. "E as pessoas ainda dizem que há indústria da multa: o que há é indústria da infração de trânsito, há uma indústria da morte", criticou. "Nestes dois anos uma pessoa morreu de dengue na cidade. Está parecendo mais fácil convencer o mosquito a pagar de picar do que as pessoas a dirigirem de acordo com as normas", brincou Dalben, demonstrando certo desânimo.


"Já fui multado e tive vergonha"


O diretor de trânsito da CMTU não escondeu da reportagem do Bonde que já foi multado duas vezes – uma por policial militar e outra por agente de trânsito. Não soube dizer os motivos, mas confessou sentir vergonha. "Eu simplesmente paguei a multa e nunca mais toquei no assunto; senti vergonha por estar cometendo uma infração – eu que tenho a obrigação de demonstrar bom comportamento", disse Sérgio Dalben, que é policial militar da reserva.


Hoje que ocupa o cargo de diretor de Trânsito, diz Dalben, procura andar de maneira ainda mais correta. "Obedeço todas as regras e isso se transforma em um costume. Além do mais, ando com meus filhos no carro: que exemplo estaria dando a eles se assim eu não o fizesse, que moral eu teria?"


Esse exemplo da vida pessoal é o que procura legar a todos os motoristas de Londrina: a ética no trânsito é tão importante quanto a ética nos outros âmbitos da vida. "Como criticar os políticos que não são éticos se nós, no nosso dia a dia, não conseguimos dirigir respeitando as normas", questionou.


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