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Estudantes da UEL fazem ato em 'defesa da democracia' em Londrina

Bruno Souza - Redação Bonde
08 out 2026 às 19:44

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Estudantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina) promoveram, no início da noite desta quinta-feira (8), um ato "em defesa da democracia" após o resultado do primeiro turno das eleições, realizado no último domingo (4). A mobilização foi organizada por estudantes e conta com a presença de movimentos sociais progressistas, sindicatos, integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e do PT (Partido dos Trabalhadores).


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O ato reuniu centenas de militantes que bradavam frases contra o candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e cortes na educação. A Polícia Civil esteve na manifestação e disse à reportagem que a presença dos agentes foi uma solicitação do MPPR (Ministério Público do Paraná) para garantir a segurança no campus.


A reportagem também presenciou o momento em que algumas pessoas que passavam de moto e carro  vaiaram o ato. Lideranças políticas, como a vereadora Lenir de Assis (PT) e o ex-deputado Federal André Vargas (PT), estiveram presentes. Nenhuma intercorrência foi registrada.


Estudantes engajados


Estudantes eram os mais engajados nos protestos. "Todo mundo está aqui pela democracia. Muitas vezes esquecemos do valor disso. Hoje, é importante se organizar enquanto classe estudantil e temos gente para lutar por mais espaço", disse Eduardo Albino, 22, do curso de jornalismo.


Brenda Adriele, 28, estudante de serviço social, também engrossou o coro. "Estou aqui defendendo a universidade pública, a soberania e os nossos direitos que não queremos perder. Foram anos lutando", manifestou-se.


Gleicy Miranda, 24, estudante de biologia, disse defender as políticas públicas. “Vim de Brasília para estudar aqui na UEL e graças a tudo isso consegui me formar", contou. Já Maria Clara Félix, 18, que cursa letras na UEL, disse que o ato ajuda a falar com outras pessoas que “não tem noção do que está acontecendo no Brasil”. “Lutamos pelo direito das mulheres ao voto, direito dos negros e pessoas LGBTQIAPN+", disse.


Organização 


Germano Almeida, estudante de Ciências Sociais e um dos organizadores, disse, em entrevista ao Portal Bonde, que a manifestação começou a ser articulada após a vitória no montande de votos de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT).


“Diante do resultado das urnas, nós, da ala progressista, sentimos uma angústia. Em conversa com outras pessoas, decidimos criar um grupo de apoio emocional, criando, assim, esse ato de apoio à democracia”, afirmou. Segundo Germano, em menos de 24 horas foram criados três grupos de mobilização e um canal, devido à demanda. Pelo menos 3 mil estudantes teriam aderido aos grupos.


Foto: Heloisa Gonçalves


Mobilização nas universidades


O estudante afirmou que a mobilização da UEL acompanha movimentos semelhantes em outras universidades públicas do país. Entre as justificativas para o ato, Germano citou propostas atribuídas à candidatura de Flávio Bolsonaro para a educação pública.


“Um dos motivos também é o projeto de Flávio Bolsonaro de retirar a universidade pública da pasta do MEC [Ministério da Educação], além de diversos outros retrocessos e desmontes. Enquanto estudantes, não podíamos ficar desmobilizados diante dessas ameaças”, disse. “É o primeiro grande ato em defesa da democracia na UEL. Não foi um partido, foram os estudantes da UEL que saíram na frente em defesa da democracia. O nosso ato não é do PT, não é do Lula, é em favor da democracia”, completou.


Ameaças nas redes sociais


A realização do ato ocorre em meio a mensagens de hostilidade e ameaças nas redes sociais. Segundo Germano, uma comissão jurídica foi formada para acompanhar os casos. A segurança da UEL, segundo ele, também está mobilizada para garantir a integridade dos participantes.


Nesta quinta, o Portal Bonde identificou, em um grupo de WhatsApp chamado “Nós da UEL com Flávio Bolsonaro”, mensagens de ataques contra estudantes, políticos de esquerda e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), além de conteúdo xenofóbico contra nordestinos.


A reportagem também encontrou uma mensagem de apoio ao nazismo e outra fazendo referência a um suposto ataque com bombas na UEL. O responsável por compartilhar a mensagem sobre o possível ataque foi procurado, mas disse se tratar de uma "brincadeira".

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A Polícia Militar informou ao Bonde que não havia recebido denúncia sobre a suposta ameaça até aquele momento. A UEL ressaltou que analisa o caso e promoveu medidas para garantir a segurança dos presentes no ato.


Foto: Heloísa Gonçalves
Foto: Heloísa Gonçalves
Foto: Heloísa Gonçalves

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