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Falta de resposta da prefeitura

Greve dos CEIs filantrópicos pode ser retomada na segunda em Londrina

Jéssica Sabbadini - Redação Bonde
28 mai 2025 às 14:59

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Jéssica Sabbadini
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O Sinpro (Sindicato dos Profissionais das Escolas Particulares de Londrina e Norte do Paraná) sinalizou na manhã desta quarta-feira (28) que a greve dos professores dos CEIs (Centros de Educação Infantil) filantrópicos pode ser retomada na próxima segunda-feira (2). A justificativa seria a falta de resposta por parte da Prefeitura de Londrina em relação à proposta apresentada pelos sindicatos patronais e aprovada em assembleia pela categoria. O Sinpro representa cerca de 1,4 mil professores de 63 creches.


Presidente do Sinpro, André Cunha explicou que a categoria se reuniu na noite desta terça-feira (27) em uma assembleia para votar a contraproposta apresentada pelos sindicatos patronais, o que foi aprovado por unanimidade. Nesse caso, o reajuste da categoria seria de 4,77% para este ano, respectivo à inflação, além de outros 5%, sendo que 3% devem ficar a cargo do município e 2% com as entidades. No caso daquelas que não tiverem recurso, os 2% deverão ser custeados também pela administração, sendo que o reajuste para 2025 ficaria na casa dos 9,77% para todas as professoras das creches filantrópicas.

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Para 2026 e 2027, o reajuste seria de 10%, além do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). A única diferença da proposta apresentada pelo Sinpro são os reajustes para os anos seguintes, em que a negociação envolvia um aumento salarial de 15% para 2026 e 2027.


Essa proposta foi encaminhada à Prefeitura no dia 16 de maio e, no dia 22, o Tribunal de Justiça do Paraná determinou que o município deveria responder a proposta apresentada em até 48 horas. “Ao invés de falar sobre a proposta, a prefeitura fez uma manifestação dizendo que essa é uma situação que não é problema dela, que é dos sindicatos e pede para fazer assembleias, então, quer dizer, não respondeu a proposta que foi construída”, aponta.


'SITUAÇÃO INUSITADA'


Diante disso, segundo ele, a categoria entendeu que não houve resposta ao que foi solicitado e, por isso, vai novamente para Curitiba nesta quarta-feira para apresentar ao desembargador do TJ, Carlos Mansur Arida, o resultado da assembleia da categoria e solicitar a autorização para retomar a greve a partir de segunda-feira com a presença de apenas 60% dos professores. “Nós estamos vivendo uma situação inusitada em Londrina: a possibilidade do retorno de uma greve autorizada pelo Judiciário por omissão da Prefeitura”, frisa.


Na última segunda-feira (26), em coletiva durante a inauguração da base de apoio da Guarda Municipal no Calçadão de Londrina, o prefeito Tiago Amaral (PSD) pediu que os sindicatos enviem um documento apresentando os valores per capita necessários para o reajuste para que, a partir daí, consigam discutir. Sobre isso, Cunha afirmou que “o prefeito não foi informado pela assessoria ou pelos secretários de que o que ele pediu já tinha sido feito uma semana antes no Ministério Público”. “É só ler”, afirma o presidente.


'ÍNDICE NÃO FOI REPASSADO'


José Milton de Souza é presidente do Secraso (Sindicato das Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional do Paraná), um dos sindicatos patronais que representam as entidades mantenedoras das creches filantrópicas. Segundo ele, uma das condicionantes da proposta votada em assembleia pelos professores era o município se comprometer a pagar, dentro da reposição salarial de 9,77%, além da inflação prevista em contrato, mais 3% de ganho real e, para além disso, os 2% das unidades de pequeno porte que não conseguem bancar o reajuste.


Souza garante que o município já manifestou, de maneira enfática, que não vai bancar nenhum aumento além do previsto em contrato, relativo aos 4,77% do INPC. O presidente também aponta que, diferente do que foi afirmado por Amaral, o índice relativo à inflação ainda não foi repassado para as entidades.


Com a negativa da Prefeitura em bancar o aumento, o presidente do Secraso aponta que o Sinibref (Sindicato Interestadual das Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas), o outro sindicato que representa as entidades, agendou uma assembleia para a próxima sexta-feira (30) para sugerir uma reposição de 6,5% para a categoria para este ano, sendo 4,77% da inflação e 1,73% de aumento a ser bancado pelas entidades.


Na visão de Souza, essa proposta não vai ser aceita pelo Sinpro. “Essa bagunça foi causada pela incompetência da Prefeitura Municipal de Londrina pelo desconhecimento completo das regras sindicais”, opina.


A reportagem aguarda a manifestação da Prefeitura de Londrina e do Sinibref.


'O QUE VALE SÃO 6,5%'


A presidente do Sinibref, Elaine Pereira Clemente, afirma que há um reajuste de 6,5% fruto da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) com o Sindehotéis (Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, meios de Hospedagem e Gastronomia, Turismo e Hospitalidade de Londrina e Região), que também representa os "empregados em entidades beneficentes, religiosas e filantrópicas". Ela ainda diz que o Sinpro "deixou de cumprir a função dele".


“Deixou de mandar a pauta para nós para que pudéssemos discutir as reivindicações em Assembleia, porque é um rito formal, não é uma conversa de Instagram. Como isso não foi feito, o que vale para ser aplicado nas instituições são 6,5% de reajuste, mais dois benefícios que constam na convenção coletiva”, pontua.


Clemente também alega que o Sinibref é o único representante patronal.


A reportagem aguarda a manifestação da Prefeitura de Londrina.


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ATUALIZADA ÀS 17h18


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