Prevista na Lei Municipal do sistema viário, de 1998, a duplicação da rua Goiás está parada desde o final de 2008, quando foram entregues os 500 metros do trecho entre a rua Michigan e a avenida JK. Durante a execução, a obra enfrentou muitas dificuldades relacionadas à desapropriação de imóveis, o que terminou por atrasar a conclusão. Inicialmente prevista para abril de 2007, foi finalizada em outubro de 2008, com custo de aproximadamente R$ 600 mil.
Hoje, a duplicação integral da Goiás, até o encontro com a avenida Santos Dumont, conforme prevê o Plano Diretor de Londrina, é tratada como "utopia" pela Secretaria de Obras.
"Não dá nem para dar um palpite sobre quanto custaria só para desapropriar todos os imóveis da face sul da Goiás. Como cidadão, eu gostaria de ver a rua duplicada, melhoraria muito o trânsito no quadrilátero central, mas como secretário devo dizer que é uma utopia. É um desafio para ser encarado no futuro, mas hoje não é nem de longe uma de nossas prioridades", diz o recém-empossado secretário de obras de Londrina, Walmir Matos.
Tanto Matos quanto a gerente de trânsito do Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Cristiane Biazzono Dutra, concordam sobre a importância da duplicação dos dois quilômetros restantes da Goiás. "Dentre as 19 vias arteriais com previsão de alargamento na Lei do sistema viário, é uma das mais importantes, ao lado da Duque de Caxias e da Faria Lima, por fazer uma ligação entre as regiões leste e oeste de Londrina, entre o aeroporto e a PR-445 e a UEL", comenta Cristiane.
Desde 1998, todos os imóveis construídos na face sul da rua - ou seja, no lado direito do sentido do trânsito - no trecho entre a JK e a Santos Dumont, precisam resguardar mais 10 metros de recuo além dos cinco metros habituais. Diversas construções anteriores à Lei de 1998, no entanto, não respeitam estes 15 metros.
De acordo com o Ippul, caso a Goiás fosse duplicada, seria possível trabalhar com 25 metros para pistas, canteiro, área de estacionamento e calçadas. "Daria para fazer duas pistas de rolamento por sentido mais estacionamento de cada lado ou então, como fizemos com a João Cândido e a Duque de Caxias, três faixas em cada sentido, sem estacionamento e com faixa exclusiva para ônibus", projeta Cristiane.
Enquanto o restante da duplicação da Goiás não sai do papel, o secretário Walmir Matos prefere concentrar os esforços do município em outras obras que, segundo ele, também desafogariam o tráfego no centro de Londrina. "Temos o BRT, o Arco Leste, a Angelina Ricci Vezozzo, a Amintas de Barros, entre outras vias que, mesmo não passando necessariamente pelo quadrilátero central, são alternativas que podem atrair os motoristas e criar novas rotas de trânsito, tirando uma parte dos veículos da zona central", avalia.