A Campanha Maio Amarelo foi criada com o objetivo de chamar a atenção da população para o alto índice do número de mortos e feridos no trânsito. No entanto, as estatísticas mostram o contrário, principalmente este mês, que seria o da conscientização, mas virou um maio vermelho de sangue. Os acidentes seguem acontecendo em larga escala, provocados pela imprudência e desrespeito às leis de trânsito. Mesmo com as campanhas, os motoristas continuam bebendo e dirigindo, furando semáforos e fazendo das ruas verdadeiras pistas de corrida. Do dia 1 até o dia 18 deste mês, os Bombeiros registraram 197 ocorrências, sendo 21 atropelamentos, 14 choques contra postes, 109 batidas e 51 quedas . Os motociclistas estão envolvidos em 68,3% desses acidentes.
Nos quatro primeiros meses do ano em Londrina, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) registrou um aumento no número de óbitos, comparado com o mesmo período de 2017, quando ocorreram 26 mortes. Este ano, foram 33 até sexta passada (18). Desse total, 13 vítimas eram motociclistas, em sua maioria homens com idade entre 18 a 30 anos.
Entre casos de irresponsabilidade ao volante, um dos casos de maior repercussão foi o acidente na Av. Dez de Dezembro, no feriado do Dia do Trabalhador, em que Jean Camargo, de 29 anos, e Eliede Oliveira, de 42, estavam a bordo de uma moto no semáforo com a Avenida Guilherme de Almeida quando foram atropelados por Daiane Cristina Freire, que estava embriagada e bateu na traseira da moto. As vítimas foram arremessadas e morreram na hora.
No dia 14 de maio, a vítima foi o jovem Wellington Aparecido da Silva Fraga, de apenas 19 anos. Ele morreu na rua Anuar Caran com a rua Félix Chenso, no conjunto Semiramis. Após cruzar a preferencial, ele bateu contra um carro e morreu na hora. Qual a razão para o alto número de acidentes envolvendo motociclistas? Segundo o especialista em trânsito, Major Arnaldo Sebastião, hábitos de direção diferentes entre carro e moto pode ser um dos motivos.
"Na verdade a moto deve se comportar igual a um carro. Em uma fila de veículos, ela fica atrás do carro, por exemplo, e não ao lado, no chamado corredor. O motociclista não tem essa percepção. Para ele não existe Código de Trânsito, sendo que as regras são as mesmas. Ela (moto) não pode achar que tem prioridade.", disse o Major. Ele sinaliza o fato da maioria das vítimas serem jovens como uma característica psicológica da idade. "Tem a questão da juventude, da adrenalina. O jovem é mais afoito e mais corajoso. Acha que tem o reflexo melhor, que sempre vai conseguir passar, que dá tempo. Esse excesso de confiança contribui para uma fatalidade", completa.