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Desastre ambiental

Londrinenses relatam rotina de trabalho em meio à tragédia no RS

Simoni Saris - Grupo Folha de Londrina
18 mai 2024 às 13:56
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Nos últimos dias, o mundo voltou os olhos para o Rio Grande do Sul. Até o momento, as cheias afetaram mais de 90% dos municípios gaúchos, deixaram mais de 150 mortos, mais de cem desaparecidos, 80 mil desabrigados e impactaram a vida de 2,2 milhões de gaúchos. A catástrofe causou enorme comoção e mobilizou milhares de trabalhadores. Além das equipes envolvidas diretamente no resgate e salvamento das vítimas, uma legião de profissionais de diversas áreas e de todas as partes do país se deslocou para Porto Alegre e cidades do interior para, de forma voluntária ou não, exercer o seu ofício.


A FOLHA conversou com dois londrinenses que foram até o Rio Grande do Sul a trabalho. Uma médica veterinária que chegou nesta semana a Porto Alegre para ajudar voluntariamente na recuperação dos animais resgatados nas enchentes e um fotógrafo que passou cerca de dez dias registrando as cenas desoladoras provocadas pela maior tragédia climática ocorrida até hoje no país.

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A médica veterinária Camila Mello trabalha na assistência a cães que foram separados de seus tutores em Porto Alegre

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“É como se eu estivesse na série The Walking Dead, mas num cenário de guerra. É clichê, mas não tem outra definição melhor do que essa. Tudo fora de lugar, revirado, as coisas alagadas. É inexplicável”, definiu a médica veterinária Camila Mello. Ela está em Porto Alegre trabalhando na assistência a cães que foram separados de seus tutores, em uma estrutura montada pela Ulbra (Universidade Luterana do Brasil).

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Assim que chegou à capital gaúcha, Mello foi para um dos seis galpões existentes no campus da universidade e sua função era receber os animais adoentados. “Cada galpão abriga um número X de animais. Aqui estão só os cães. Tem outro abrigo para gatos. Os veterinários precisam rodar os galpões. A gente ficou no pior, muitos animais internados e poucos veterinários”, relatou.



Para cuidar de cerca de cem cães, Mello contava apenas com a ajuda de outro médico veterinário. A dupla fez o que pode, mas logo percebeu que seria impossível atender adequadamente a todos os animais e muitos acabariam desassistidos. Os profissionais recebem o apoio de voluntários, mas estes não têm autonomia para cuidar dos casos clínicos. “É muito animal, a gente não consegue dar conta de todos.”

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Atender a quantidade de animais em estrutura improvisada e com poucos recursos são os principais dos profissionais que se atuam na linha de frente no Rio Grande do Sul

Atender a quantidade de animais em estrutura improvisada e com poucos recursos são os principais dos profissionais que se atuam na linha de frente no Rio Grande do Sul | Foto: Arquivo Pessoal

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A médica veterinária também passou por um galpão onde são mantidas as fêmeas no cio e outro, com animais saudáveis. Mas mesmo os animais que chegam sem nenhum sinal clínico precisam de toda a atenção porque dentro dos abrigos é comum começarem a apresentar sintomas, como vômito, diarreia, apatia e hipotermia. E também pedem muito carinho.


Em todo o campus, há apenas um forno de micro-ondas para aquecer a água não potável que é colocada em garrafas, utilizadas para manter centenas de animais aquecidos. “Está sendo muito trabalhoso. Tudo é muito difícil para poder fazer. É um cenário caótico. As condições são precárias e todo mundo está fazendo do jeito que pode, ficando 24 horas, 36 horas sem dormir para conseguir dar conta porque a gente sabe que se sair, vão faltar pessoas e os animais vão passar por mais dificuldades ainda”, disse Mello. “E na semana que vem deve piorar porque muitos voluntários deverão retomar suas rotinas e vai ter menos gente para ajudar.”

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Em meio a inúmeros problemas observados nos abrigos para animais, os responsáveis foram obrigados a contornar mais um. Os pit bulls tiveram de ser isolados em um espaço vigiado por um segurança porque havia pessoas indo até o alojamento para tentar furtar os cães dessa raça.


Apesar de todas as dificuldades, Mello disse que o trabalho compensa. “Vale pelos animais, mas ao mesmo tempo a gente fica com o coração na mão. A gente sente como se estivesse jogando algodão-doce dentro da água o tempo todo. As coisas não funcionam nem na base do surto”, disse Mello, na sexta-feira (17), antes de ir para um abrigo a céu aberto, onde a situação dos animais era ainda mais desoladora. “É surreal. Não sei por onde eu começo.”

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Registros da tragédia


Quando o fotógrafo Isaac Fontana chegou a Porto Alegre, na primeira semana de maio, o cenário de guerra descrito por Mello ainda não havia se formado, mas no segundo dia de viagem a água começou a avançar e ele testemunhou o caos se instalando na cidade.

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Londrinense radicado em São Paulo, Fontana fez a cobertura para a agência de notícias espanhola EFE e foi cumprindo essa função que desembarcou na capital gaúcha, poucos dias após o início das cheias no Rio Grande do Sul. A aeronave que o levou a Porto Alegre foi uma das últimas a pousar no Aeroporto Salgado Filho. No dia seguinte, o terminal suspendeu as operações e na sequência, foi invadido pelas águas.



A intenção ao chegar a Porto Alegre era seguir direto para Eldorado do Sul, cidade na região metropolitana, mas uma ponte interditada impediu que Fontana e o cinegrafista Wallace Carvalho, que o acompanhava, chegassem ao município já totalmente submerso. Os dois, então, retornaram à capital e puderam presenciar parte da tragédia acontecendo diante de seus olhos. “Foi um teste de fogo e me entreguei de corpo e alma”, resumiu o fotógrafo.


“Quando a gente chegou, Porto Alegre não estava sendo afetada ainda, mas a história foi mudando. A gente não imaginava que ia afetar a cidade da forma como foi”, contou Fontana. Segundo as autoridades, mais da metade dos bairros da capital gaúcha foi atingida pela cheia histórica, com impacto na vida de 157 mil porto-alegrenses.


Foram cerca de dez dias de muito trabalho. Um dos primeiros registros feitos por Fontana na capital gaúcha foi de uma embarcação do Exército atuando incansavelmente no resgate da população em meio à forte correnteza que se formou no lago Guaíba. “No primeiro dia, só um pedacinho de Porto Alegre estava alagado, onde sempre costumava ter enchente. A cidade inteira estava com abastecimento de água. Circulamos por tudo, passamos por dentro da rodoviária de carro. No segundo dia, estava tudo tomado. Canoas (na região metropolitana de Porto Alegre) também, toda debaixo da água”, relembrou.


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Médica veterinária e fotógrafo londrinenses relatam caos e esforços de resgate em meio à maior tragédia climática do país, no Rio Grande do Sul.
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