Reunidos desde às 15h na sede do Tribunal Regional do Trabalho, em Curitiba, trabalhadores das empresas privadas e filantrópicas da saúde e o sindicato que representa os hospitais do Paraná ainda não chegaram a um acordo para por fim à greve a categoria. Os trabalhadores recusaram a proposta da Justiça do Trabalho feita na audiência de conciliação do dissídio coletivo.
Enquanto os trabalhadores pediam 20% de reajuste salarial e R$ 400 de vale alimentação e o sindicato patronal oferecia aumento de 6,5% e R$ 280 no valor do vale alimentação, a desembargadora Ana Carolina Zaina apresentou proposta de acordo com 8% de reajuste e vale de R$ 300,00. Ela também sugeriu aumento de 10% no piso da categoria e reajuste do adicional de insalubridade para R$ 750,00 neste ano e R$ 850,00 a partir de janeiro de 2015. A proposta ainda previa que não haveria desconto dos dias de paralisação e dava garantia de emprego de 30 dias.
Os trabalhadores acham pouco, reclamam que querem ser mais valorizados e querem, além dos reajustes, a garantias de novas contratações no setor para diminuir a sobrecarga de trabalho. A desembargadora informou que só dará a audiência por encerrada quando se chegar a um bom termo, que acabe com a greve.
A desembargadora reforçou, no entanto, a ordem de manutenção do atendimento mínimo de 100% de manutenção dos trabalhadores em serviços críticos, 70% nos serviços de apoio a estes, e 30% nos setores administrativos, informando que, se comprovado o descumprimento, aplicará a multa de R$ 20 mil diários ao sindicato . A presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Serviços de Saúde de Curitiba, Isabel Gonçalves disse que orientou a categoria para o cumprimento da liminar, inclusive, postando a ordem judicial na página do SINDESC na internet.
Impacto - A Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná alegou que, em diversos hospitais, o atendimento mínimo não foi respeitado. Segundo a Fehospar, 154 cirurgias foram canceladas.
André Luís da Silva Teixeira, do Hospital Pequeno Príncipe, disse que situação ficou desesperadora na noite de quarta-feira, com 244 crianças internadas "Com a greve, 23 cirurgias foram canceladas. Houve setores críticos em que apenas 36% dos trabalhadores compareceram", afirmou
No hospital do idoso, Zilda Arns, a determinação foi cumprida, com 24% de adesão à greve. A diretoria do Hospital Cajuru informou que trabalhou hoje com 55% do quadro, tendo que cancelar 14 cirurgias.
A Santa Casa de Misericórdia informou que 53% de seus funcionários aderiram à greve, mas, com a ajuda dos estudantes da PUC-PR, não precisou interromper atendimentos. O Hospital Nossa Senhora das Graças disse que só 9% de seus funcionários paralisaram as atividades, mas na maternidade Mater Dei, também controlada pela instituição, houve 40% de adesão. O Hospital São Vicente informou que teve que cancelar nove cirurgias, o Erasto Gaetner disse que teve atendimento normal.