Um grupo de nove mulheres do bairro Sambaqui está colocando, literalmente, a mão na massa. Elas participam do primeiro curso de servente de pedreiro promovido pela Prefeitura de Curitiba, por meio dos Liceus de Ofícios da Fundação de Ação Social (FAS).
O curso faz parte do programa João-de-Barro e é promovido em parceria com a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab). São catadoras de papel, diaristas e artesãs que buscam novas oportunidades de trabalho ou apenas querem aprender, para ajudar na construção de suas próprias casas. "Estas mulheres dão um grande exemplo de força de vontade. É gratificante contribuir para que elas tenham novas oportunidades de emprego e de moradia", diz a presidente da FAS, Fernanda Richa.
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No total, o curso tem 17 alunos, oito são homens. Ao lado das alunas mulheres, eles participam de aulas práticas construindo um barracão de 70 metros quadrados. O barracão está sendo levantado num terreno cedido pela Cohab e abrigará atividades socioeducativas - cursos, palestras, reuniões - para a comunidade do Conjunto Moradias Sambaqui, na região do Sítio Cercado.
Sob olhares ainda receosos dos colegas homens, as mulheres convivem em pé de igualdade na disputa pela atenção do instrutor José Osvaldir do Prado, técnico em edificações do Senai (Serviço Nacional da Indústria).
Com as ferramentas em punho, alunos e alunas trabalham na escavação da fundação e preparam a massa (cal, cimento e areia) para o assentamento dos tijolos e levantamento das paredes. Fazem, também, as armações em ferro para os baldrames do alicerce da construção. O instrutor diz que "embora as mulheres sejam de natureza mais delicada, suas alunas estão disfarçando bem". Assim como os homens, elas têm que entortar e desentortar ferro, bater massa de cimento e também vão aprender a assentar tijolos. "Aqui todo mundo põe a mão na massa. Ninguém faz corpo mole", afirma o instrutor.
A diretora da área de geração de trabalho e renda da Fundação de Ação Social, Ana Maria Ghignone, diz que as construtoras já estão de olho na mão-de-obra feminina porque as mulheres são mais detalhistas na hora do acabamento. "As mulheres economizam mais em material, não desperdiçam porque já estão acostumadas a administrar as coisas dentro de casa. Muitas delas são as provedoras da família, sabem fazer as contas e controlar bem o orçamento doméstico", afirma Ana Maria.