Um idoso de 77 anos foi morto a tiros dentro da própria casa, em Bandeirantes (Norte Pioneiro), na madrugada de sábado (22). O crime foi inicialmente comunicado à polícia como um latrocínio (roubo seguido de morte), mas inconsistências nos relatos levaram à prisão em flagrante da esposa, da filha da vítima e do amante da mulher. Segundo a Polícia Civil, os três teriam participado do planejamento e da execução do homicídio.
A morte de José da Silva Teixeira foi comunicada inicialmente pela esposa, Valquíria Sandoval, de 52 anos, e pela filha do casal, Amanda Sandoval Teixeira, de 25. À polícia, elas afirmaram que dois homens invadiram a residência por volta das 0h10, atiraram contra o idoso e fugiram levando dinheiro, o carro e a arma da vítima, utilizada no crime.
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Durante os trabalhos no local, porém, os policiais encontraram elementos que levantaram suspeitas. Um dos principais pontos foi o fato de a casa estar organizada, o que, segundo o delegado Michel Rocha de França Araújo, não seria compatível com a versão de uma invasão em busca de objetos de valor.
A esposa também teria apresentado versões diferentes sobre onde estava no momento do crime. Inicialmente, disse que estava na cozinha bebendo água. Depois, afirmou que rezava e, em outro momento, que cuidava dos cachorros.
Outro indício foi encontrado no portão da residência. A chave de acesso à rua estava na fechadura, situação considerada incomum durante a madrugada. Além disso, segundo o delegado, a mulher afirmou que toda a ação teria durado apenas três minutos, tempo em que os supostos criminosos teriam matado o idoso e levado R$ 20 mil, uma arma e o veículo.
As suspeitas levaram a polícia a intimar mãe e filha. Amanda, que estava hospedada em um hotel em Londrina no momento do crime, teria tentado construir um álibi, segundo a investigação. Com autorização para acessar os celulares das duas, os policiais encontraram, de acordo com a Polícia Civil, provas de que o crime teria sido planejado pelas duas com a participação de Anderson Justino Estevão, amante de Valquíria.
A polícia afirma que, interrogada, a esposa relatou que entregou a arma do marido ao amante, que teria ido para os fundos da casa antes da execução. José da Silva Teixeira estava acamado e fazia uso de fraldas.
Anderson foi localizado em sua residência, onde também estava o carro da vítima. Na delegacia, segundo a polícia, ele admitiu participação no planejamento do crime, mas negou ter feito os disparos. Ainda assim, levou os investigadores até o local onde havia escondido a arma, um revólver calibre .22. O dinheiro e o veículo também foram recuperados.
Segundo o delegado, o casal estava junto havia 27 anos e a motivação apresentada pela esposa estaria relacionada a uma suposta violência psicológica e patrimonial sofrida ao longo dos anos. Ela afirmou que o marido mantinha uma quantia milionária no banco, à qual ela não tinha acesso, e que também se negava a custear o tratamento da filha, que tem esclerose múltipla. As alegações ainda serão investigadas.
A Polícia Civil aguarda os laudos de necropsia e toxicológico da vítima. O último deverá indicar se os envolvidos utilizaram alguma substância para impedir que o idoso apresentasse resistência.
A prisão em flagrante dos três envolvidos foi convertida em preventiva. O trio foi autuado por homicídio triplamente qualificado e pode responder também por falsa comunicação de crime, fraude processual e outros delitos que ainda serão apurados.
O que diz a defesa
Em nota, os advogados de Valquíria Sandoval, Amanda Sandoval Teixeira e Anderson Justino Estevão afirmaram que as investigações ainda estão em andamento e que as conclusões apresentadas até o momento não podem ser tratadas como definitivas.
A defesa também questiona a voluntariedade das declarações prestadas durante os interrogatórios e afirma que os investigados teriam sido impedidos de entrar em contato com os advogados, além de sofrerem forte pressão psicológica e ficarem privados de alimentação e água por aproximadamente sete horas.
Por fim, os advogados disseram que seguem colaborando para o esclarecimento dos fatos, sem abrir mão das garantias constitucionais, como o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.