O secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, anunciou nesta segunda-feira (10) apoio técnico, logístico e financeiro para o combate à dengue em Foz do Iguaçu, no Oeste do Estado. O município está em estado de alerta para epidemia da doença. Já a partir desta terça-feira (11), 16 profissionais de saúde do Governo do Estado formarão uma força-tarefa para apoiar o enfrentamento da dengue na região.
O Estado também repassará R$ 350 mil ao município para contratação emergencial de agentes de endemias, aquisição de insumos e outros gastos com o custeio das ações. Cerca de 150 mil materiais educativos também serão distribuídos à população.
No último Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), Foz do Iguaçu registrou 4,7%, considerado de alto risco pela Organização Mundial de Saúde. Isso significa que a cada 100 casas visitadas pelos agentes de endemias, quase cinco tinham focos do mosquito da dengue. Em algumas localidades o índice chegou a 20%. A maioria dos criadouros encontrados eram copos plásticos, garrafas pet e outros pequenos recipientes que acumulam água.
EXPERIÊNCIA – Segundo Caputo Neto, a região necessita de atenção especial porque já passou por epidemias em anos anteriores. "Fatores como o clima, fluxo intenso de pessoas e a região de tríplice fronteira contribuem para a circulação da doença. Como já houve outras epidemias, a preocupação é grande com os casos graves de dengue", explicou.
O governo pretende diminuir o tempo de espera pela confirmação laboratorial dos casos de dengue. Pela primeira vez, o Paraná utilizará o teste para diagnóstico rápido da dengue, que permite a obtenção do resultado em apenas 30 minutos. O teste será implantado na unidade de fronteira do Laboratório Central do Estado. "Isso vai facilitar a escolha adequada do tratamento e acelera o início das ações de bloqueio de focos na região de residência do paciente", enfatizou o superintendente de Vigilância em Saúde, Sezifredo Paz.
A principal forma de prevenir a dengue ainda é evitar que o Aedes aegypti se desenvolva, mantendo a casa livre de criadouros do mosquito. Quando a situação já está crítica são utilizados equipamentos de UBV (pesada e costal) para aplicação de veneno contra o mosquito adulto. Como reforço, o Estado deslocará 13 destes equipamentos costais ao município.
NÚMEROS – De agosto até segunda-feira (10), 162 casos de dengue foram registrados no Paraná e nenhuma morte foi confirmada. Os municípios de Peabiru e São Carlos do Ivaí tiveram crescimento no número de notificações na última semana. Desde agosto, Foz do Iguaçu registrou 10 casos.
O comportamento da doença no Paraguai também está sendo acompanhado pela Sala Situação da Dengue. De acordo com dados do Ministério da Saúde dopaís vizinho, 70 pessoas morreram e 29.454 contraíram a doença neste ano. O departamento de Alto Paraná, que faz fronteira com o oeste paranaense, confirmou 372 casos e uma morte.
Na quinta-feira (13), autoridades do Governo do Estado, Ministério da Saúde brasileiro e governo paraguaio se reúnem para avaliar a situação e discutir ações conjuntas de combate à dengue na região. O vírus tipo 4 da dengue será um dos pontos de pauta. O DEN-4 já circula em algumas regiões do Paraguai, contudo ainda não foi introduzido no Paraná.