A PCPR (Polícia Civil do Paraná) cumpriu cinco mandados de prisão e de busca e apreensão nesta quinta-feira (17) envolvendo suspeitos de uma tentativa de roubo de carga milionária em dezembro de 2025, em uma rede atacadista, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina). Três pessoas foram localizadas em Londrina, um em Curitiba e outro em Soledade (RS). De acordo com a PCPR, um funcionário da empresa liderou o grupo para desviar um carregamento de uísque avaliada em R$ 1 milhão. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
A operação inicialmente foi conduzida pelo delegado Paulo Henrique Costa, responsável pela delegacia de Cambé na época e que, em junho, assumiu o posto de delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina. Pelas características do crime, o caso foi encaminhado para o delegado André Feltes, da Delegacia de Furtos e Roubos de Cargas de Curitiba.
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Em coletiva, Feltes explica que desde o início das investigações existia a suspeita de participação de ao menos um funcionário da rede atacadista, já que o grupo tinha informações privilegiadas sobre os protocolos de segurança da empresa.
O delegado detalha que esse funcionário clonou o WhatsApp de uma outra funcionária da empresa, que tinha o poder de liberar a saída de um carregamento durante o período noturno, para que o restante dos funcionários do centro de distribuição não desconfiasse.
O funcionário envolvido já tinha trabalhado no setor de liberação de cargas e, por isso, tinha conhecimento de como funcionava o processo. O delegado explica que ele também acessou o e-mail de um gestor responsável pela compra das mercadorias, alocou a carga em determinado local no galpão e emitiu notas fiscais falsas e toda a documentação necessária para que a carga fosse liberada normalmente.
Inconsistências
Após ter acesso a essas informações, ainda de acordo com a polícia, ele repassou para dois comparsas que fizeram a entrega das notas para que o motorista, que não tinha envolvimento no crime e foi contratado apenas para fazer o frete até o estado de São Paulo, pudesse carregar o caminhão.
De lá, a carga seria enviada para o Rio Grande do Sul. Entretanto, pouco antes do caminhão deixar as instalações do centro de distribuição, algumas inconsistências foram encontradas e a carga retornou para o galpão.
André Feltes aponta que o funcionário da empresa foi responsável por cooptar os demais envolvidos, já que possuía as informações sobre todo o funcionamento do setor logístico da rede atacadista.
Além do funcionário, os mandados envolvem três pessoas responsáveis pelo transporte da carga e que já tinham atuado na rede como terceirizados e, ainda, um empresário gaúcho que é proprietário de uma transportadora e de uma distribuidora de bebidas, sendo o destinatário da mercadoria. O empresário, inclusive, já tinha duas passagens por receptação.
Crime semelhante
Por ser uma operação complexa e que demandou um planejamento detalhado, o delegado explica que a investigação mostrou relação com uma crime semelhante, mas com modus operandi diferente, em Ponta Grossa (Campos Gerais), o que dá indícios de que possa ser o mesmo grupo. “Isso está sobre investigação, mas a gente acredita que tenha relação por conta da demanda de gente interna para cometer esse tipo de crime”, esclarece.
Com a apreensão dos celulares e outros documentos, a investigação deve seguir em andamento, já que o delegado acredita que outras pessoas estejam envolvidas. Eles vão ser indiciados pelos crimes de furto qualificado, concurso de agentes, fraude, por invasão de disposição de informática e por associação criminosa.