O Ministério Público Federal (MPF) em Umuarama propôs, na última quarta-feira (4 de julho), uma Ação Civil Pública contra o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a União, o Estado do Paraná e o município de Guaíra, com objetivo de garantir direitos de uma comunidade quilombola em Guaíra. Na ação, o MPF pede, liminarmente, que a Justiça Federal de Guaíra fixe um prazo máximo de um ano para que o Incra conclua o procedimento administrativo de identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação, titulação e registro das terras ocupadas pela Comunidade Quilombola Manoel Ciriaco dos Santos. Pedem, ainda, que União, Estado do Paraná e município de Guaíra cumpram com o dever legal de inserir a comunidade em suas respectivas políticas públicas.
A ação foi respaldada em um Inquérito Civil Público instaurado em 2008 no MPF/Umuarama com a finalidade de acompanhar a realização do estudo antropológico referente às terras ocupadas pela comunidade quilombola. Este estudo, no entanto, vem se arrastando por mais de quatro anos. "Ocorre que esta situação crítica ( ) está ameaçando a própria sobrevivência da Comunidade, que se encontra privada de serviços essenciais: a agricultura, fonte de renda, além de não oferecer segurança suficiente, dada a grande vulnerabilidade às pragas e ao clima, tem tido a produção prejudicada pela falta de espaço físico na área ocupada pela Comunidade", argumenta o procurador Robson Martins, na ação. Além disso, a falta de condições de vida favoráveis no local já obrigou vários integrantes a migrarem para áreas urbanas de Guaíra e para outras cidades.
Insegurança - O MPF ressalta ainda que, no início dos estudos antropológicos, os agricultores proprietários de pequenos lotes rurais limítrofes à área ocupada pelos quilombolas, temerosos pela possibilidade de desapropriação de suas terras pelo Incra, passaram a ser autores de diversos conflitos na região. "Além disso, é curial assentar que a insegurança causada aos proprietários rurais pela questão da regularização fundiária foi motivo determinante para que estes deixassem de contratar os integrantes da Comunidade para realização de serviços eventuais como 'boia-frias', gerando, por via de consequência, déficit financeiro à Comunidade, que, sem acesso às políticas públicas, sofre com restrições orçamentárias."
Com a ação, o MPF pretende "garantir observância aos direitos indisponíveis da uma minoria étnica que luta pela manutenção dos laços de tradição para com a sua cultura, memória e identidade, tais como direito à saúde, alimentação, moradia e educação, com as devidas inclusões em Programas do Governo Federal, cujas finalidades estão intrinsecamente ligadas a estes direitos, pois somente assim é que se efetivará a auto-afirmação do grupo cultural e étnico diferenciado da sociedade envolvente."