Fragmentos de louças, porcelanas e vidros encontrados durante as obras de duplicação da BR-153, em Jacarezinho (Norte Pioneiro), estão ajudando arqueólogos a reconstruir parte da história da ocupação do Norte Pioneiro do Paraná. Ao todo, cinco sítios arqueológicos foram identificados no trecho entre Jacarezinho e Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro).
Quatro dos locais apresentam materiais que, segundo as primeiras análises, podem ser do período entre a segunda metade do século 19 e o início do século 20. Os achados estão concentrados principalmente na altura dos quilômetros 7, 22 e 23 da rodovia, em Jacarezinho.
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Entre os objetos encontrados estão fragmentos de recipientes de vidro, louças e porcelanas, provavelmente utilizados no cotidiano das populações que viveram ou circularam pela região. Apesar de estarem fragmentados, os materiais podem ajudar a entender os hábitos e a dinâmica de ocupação do território em um período de transformação do Norte do Paraná.
Os primeiros indícios apontam para materiais associados ao período por volta de 1860, quando a ocupação avançava de São Paulo em direção ao Norte do Paraná, impulsionada, entre outros fatores, pela expansão do cultivo de café.
Segundo o coordenador do projeto de salvamento arqueológico, Filipe Coelho, a localização e as características dos vestígios levantam ainda outra possibilidade: o atual trecho da BR-153 pode ter sido construído sobre um antigo caminho utilizado para o deslocamento de pessoas e animais.
“O que hoje é a rodovia pode ter sido uma rota de deslocamento, um caminho para a passagem de cavalos, de charretes, que foi alargado”, explica o arqueólogo.
A hipótese é reforçada pela presença de outros sítios com características e materiais semelhantes na região. Para confirmar a origem e a idade das peças, os especialistas vão comparar os objetos com materiais arqueológicos já catalogados, além de mapas e documentos históricos.
Descoberta durante as obras
Os sítios foram localizados pelas equipes de arqueologia que acompanham as intervenções na BR-153. Após a identificação dos vestígios, os materiais foram avaliados por especialistas e os locais comunicados ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que confirmou a classificação das áreas como sítios arqueológicos.
Agora, os objetos passam por um processo de salvamento, realizado de acordo com as exigências do órgão federal. A retirada dos materiais deve continuar nas próximas semanas.
Depois de estudadas e catalogadas, as peças serão encaminhadas para a UEM (Universidade Estadual de Maringá), que participa da preservação dos vestígios e da pesquisa sobre o patrimônio arqueológico do Norte Pioneiro.
Grafismos na Pedra Criminosa
O quinto sítio identificado durante o trabalho está relacionado à Pedra Criminosa, também em Jacarezinho. Conhecido por sua importância geológica e reconhecido como geossítio, o local também possui grafismos que estão sendo analisados por arqueólogos.
As equipes trabalham junto ao Iphan para investigar os registros e compreender sua cronologia e contexto cultural. A expectativa é que os estudos contribuam para ampliar o conhecimento sobre a presença e a ocupação humana no Vale do Paranapanema.
Para a EPR Litoral Pioneiro, responsável pelas obras, os achados serão preservados sem comprometer o cronograma de ampliação da rodovia.