Vídeos de Eduarda Shigematsu ainda criança voltaram a viralizar nas redes sociais após a condenação do pai dela a 23 anos de prisão, na última quinta-feira (17). Disponibilizados pelo jornalista Diego Silva, os registros mostram a menina em momentos de descontração, anos antes de ser assassinada pelo próprio pai, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina). As imagens também registram Eduarda e a avó após um grave acidente de carro que as duas sofreram em 2015. (CONFIRA OS VÍDEOS NO FIM DA REPORTAGEM)
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Gravados cerca de quatro anos antes da morte da menina, os vídeos ganharam um significado especial após a tragédia. Segundo Diego, os registros estão entre os poucos materiais em vídeo de Eduarda disponíveis publicamente. Ao Portal Bonde, o jornalista relembrou como conheceu a menina e contou detalhes dos encontros que teve com ela.
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O jornalista, que na época trabalhava como repórter da TV Cultura de Rolândia, viu Eduarda pela primeira vez enquanto estava na rua onde a avó dela vendia verduras. Não havia qualquer pauta preestabelecida. O carisma de Eduarda motivou a “matéria surpresa”.
“Quando aconteceu essa tragédia, essa matéria minha viralizou no Brasil inteiro. Eu a conheci há 11 anos. Estava junto com o meu cinegrafista fazendo reportagem na rua. No que eu parei o carro, ela veio correndo me abraçar. O meu cinegrafista era tão ligeiro que tirou uma foto do momento”, contou Diego Silva.
A aproximação levou à primeira entrevista. Eduarda falou sobre o desejo de se tornar bailarina e contou que costumava fazer muita bagunça e conversar bastante na escola. Foi nessa conversa que ela se chamou de “maritaca”, apelido que acabou marcando a lembrança deixada pela menina. “Foi uma matéria bem bonita que encantou a cidade na época”, relembrou Diego.
Arquivo pessoal
Acidente aproximou repórter da família
Cerca de três meses depois da primeira reportagem, Diego estava trabalhando na cobertura de um acidente de trânsito quando descobriu que o veículo envolvido era o carro da avó de Eduarda. A menina também estava no automóvel e ficou gravemente ferida.
“Quando estava editando o programa, me ligaram e me disseram que o acidente era com o carro da avó. A Eduarda estava no carro e ficou em estado grave na UTI [Unidade de Terapia Intensiva] por quase uma semana”, disse.
O estado de saúde da menina comoveu os telespectadores de Rolândia. Como já havia entrevistado Eduarda pouco tempo antes, o jornalista passou a pedir orações para ela durante as entradas ao vivo no programa jornalístico que participava.
“Alguns dias depois ela saiu do coma, depois saiu da UTI e foi para casa. Quando ela chegou em casa, fiz a segunda matéria com ela, que foi dentro da casa onde ela morava.”
Diego foi até a casa para levar um presente à menina. O repórter estava acompanhado do fantoche que também fazia parte do programa.
“A avó se emocionou, falando que a gente tinha sido um anjo na vida delas. Levei o Zé da Roça, que apresentava o programa comigo, e um urso grandão, maior que ela, de presente”, relembrou.
Na ocasião, a avó de Eduarda agradeceu pelas orações recebidas durante o período em que a neta permaneceu internada e classificou a sobrevivência das duas como um “livramento”. Para ela, o acidente havia sido a “passagem mais triste” de sua vida.
Memórias que não desaparecem
Anos depois, os vídeos passaram a ter outro significado para Diego. O jornalista afirmou que as imagens da menina permaneceram entre as lembranças mais difíceis de carregar justamente por terem mostrado a pureza de Eduarda, antes da tragédia.
“De todos os lutos que já sofri, mesmo perdendo pai e avó, esse foi o mais difícil, porque, por ter feito um registro muito raro dela, era algo que por anos onde eu chegava as pessoas comentavam. Eu não conseguia esquecer essa imagem. Ainda carrego dentro de mim que fui privilegiado por Deus por ter sido escolhido para deixar uma memória bonita de quem era a Eduarda”, confidenciou o jornalista.
O vínculo criado durante as reportagens também marcou o personagem que acompanhava Diego nas gravações. Eduarda tinha o sonho de conhecer o fantoche Zé da Roça, interpretado por Gilberto, de quem ela era fã.
“Tenho uma filha da idade dela. Não consigo entender até hoje [o que motivou o crime]. Ela gostava muito de interagir com o personagem que eu fazia. Eu tinha um carinho muito grande por ela. Como ela dizia pra mim: ‘Sou uma maritaca né, tio?’”, relembrou Gilberto.
O crime e a condenação do pai
Eduarda Shigematsu tinha 11 anos quando foi morta pelo pai, Ricardo Seidi Shigematsu. Em abril de 2019, a criança foi encontrada morta dentro de um buraco em um dos imóveis da família, em Rolândia. Antes disso, ela havia sido dada como desaparecida pela avó.
A investigação da PCPR (Polícia Civil do Paraná) e a denúncia do MPPR (Ministério Público do Paraná) apontaram que Eduarda foi esganada pelo pai e teve o corpo ocultado. Conforme a acusação, pai e avó também teriam tentado dificultar as investigações.
Ricardo confessou o assassinato durante o júri popular, na última quinta-feira (17), e foi condenado a 23 anos, 6 meses e 22 dias de prisão.
A avó, Terezinha de Jesus Guinaia, tinha a guarda judicial de Eduarda e, segundo o Ministério Público, teria contribuído para a morte ao permitir que a menina permanecesse sob os cuidados do pai. Ela respondia pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. O conselho de sentença, porém, recusou a acusação contra Terezinha e a absolveu.
Confira os vídeos abaixo: