O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público do Paraná, denunciou na última terça-feira (10) a delegada Selma Braga, que atua no 8º Distrito Policial e no Ciac-Sul, em Curitiba, e um escrivão do 8º DP por corrupção passiva. Também foram denunciados um policial militar e um empresário, por corrupção ativa. O Ministério Público requer à Justiça que os policiais sejam suspensos de suas funções públicas.~
O MP acusa a delegada, o escrivão e o policial militar de terem aceitado propina do empresário para livrá-lo de uma queixa feita por um vizinho dele. O vizinho e a esposa o acusaram de tê-los ameaçado e de ter atirado na fechadura da porta do apartamento deles. O casal inclusive entregou à polícia civil os fragmentos de um projétil da arma de fogo, alojado na fechadura da porta.
Segundo o coordenador estadual do Gaeco, procurador de Justiça Leonir Batisti, o empresário, então, procurou o PM, que ele já conhecia, para ‘aliviar’ a situação no Distrito, onde tinha sido intimado a comparecer para explicar o disparo. Com a intermediação do PM, ele foi até a delegacia e teria oferecido de R$ 2 a R$ 3 mil à delegada e ao escrivão.
De acordo com Batisti, a delegada e o escrivão teriam ocultado as evidências do disparo - mantendo num armário da delegacia o fragmento do projétil, as fotografias da porta danificada e as declarações das vítimas - e remetido ao Juizado o termo circunstanciado sem informação sobre o disparo, que configuraria um crime mais grave que a ameaça e o dano.
Em entrevista á Banda B, a delegada negou a acusação. "Todos os procedimentos necessários foram tomados na delegacia. Nós lavramos o termo circunstanciado sobre a questão de ameaça e repassamos o caso à justiça. Realmente houve essa questão da fechadura, mesmo assim precisávamos de mais provas para incriminar o acusado", afirmou.